O açaí produzido em Roraima está no centro de uma estratégia que visa transformar a economia rural do estado. O fruto, que ganha cada vez mais espaço nas lavouras locais, é um dos cinco produtos selecionados para um rigoroso processo de estruturação técnica com o objetivo de conquistar o selo de Indicação Geográfica (IG). A iniciativa, conduzida pelo Sebrae Roraima em parceria com a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), busca reconhecer oficialmente a identidade e a qualidade superior do produto vinculado ao território roraimense.
A Indicação Geográfica funciona como uma espécie de certificado de exclusividade, atestando que o produto possui características únicas decorrentes de fatores naturais e humanos específicos da região. Além do açaí, o projeto contempla a paçoca de Roraima, o mel do lavrado, a soja e a banana de Caroebe, fortalecendo a marca do estado no mercado nacional e internacional.
O valor estratégico do selo de origem
Para o consultor de Indicações Geográficas, Ton Lugarini, a certificação vai além da simples rotulagem, funcionando como um motor de desenvolvimento regional. O especialista destaca que a IG é concedida a regiões que possuem atributos diferenciais no processo produtivo. “Quando o consumidor vê no mercado um açaí com o selo de Roraima, ele precisa saber que por trás daquela marca existe um rigoroso controle de qualidade, capricho e um padrão estabelecido por uma associação organizada”, explica.
O estado já possui um precedente de sucesso. Em agosto de 2024, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de IG às panelas de barro produzidas pela comunidade Raposa. Esse marco serve como referência para os produtores de açaí, que agora se organizam em uma associação própria para definir as normas técnicas e o conselho regulador que fiscalizará o uso do selo.
Impacto na cadeia produtiva e no campo
Para os agricultores, a conquista da IG representa um salto de competitividade. O produtor Paulo Serra, que acompanha de perto o processo, ressalta que a valorização do produto é um passo fundamental para o fortalecimento da agricultura familiar e comercial no estado. “O açaí de Roraima possui uma qualidade inquestionável, e o selo dará a força necessária para que esse diferencial seja reconhecido pelo mercado consumidor”, afirma.
A adoção do açaí como cultura de diversificação agrícola tem transformado áreas antes pouco exploradas no estado. Esse movimento de modernização permite que pequenos e médios produtores encontrem uma fonte de renda contínua, otimizando o uso da terra e reduzindo a dependência de monoculturas tradicionais. O avanço da cultura no lavrado roraimense é um reflexo direto da busca por sustentabilidade e eficiência no campo.
A estruturação desse selo é um passo técnico complexo que exige a união dos produtores em torno de um caderno de especificações técnicas. Esse documento detalha desde o manejo da planta até o beneficiamento final do fruto, garantindo que o padrão de excelência seja mantido. A expectativa é que, com a formalização, o açaí roraimense ganhe um posicionamento de mercado premium, atraindo novos investimentos e valorizando o trabalho realizado no campo.
Para acompanhar os desdobramentos desta iniciativa e outras pautas que impactam o desenvolvimento econômico e social da nossa região, continue acompanhando o portal O Amazonas. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, relevantes e que conectam o leitor à realidade amazônica com seriedade e profundidade. Para saber mais sobre o cenário agrícola local, acesse o portal oficial do Sebrae Roraima.
Fonte: g1.globo.com