A Polícia Federal deflagrou a Operação Verniz com o objetivo de investigar a origem de R$ 574.526,34 utilizados na aquisição de mobiliário de alto padrão para uma residência em Manaus. Os pagamentos sob suspeita foram realizados em espécie ao longo do ano de 2020, enquanto as notas fiscais correspondentes foram emitidas em nome de cinco pessoas distintas. A apuração busca esclarecer se houve tentativa de ocultar a verdadeira procedência dos valores.
Essa nova frente investigativa representa um desdobramento direto da Operação Sangria, iniciada em junho de 2020 para apurar supostas fraudes na compra de equipamentos de saúde durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19 no estado. Foi justamente durante o cumprimento de mandados judiciais relacionados àquela fase inicial que os agentes federais identificaram indícios que motivaram o aprofundamento das investigações sobre as reformas e a decoração do imóvel ocupado pelo então chefe do Executivo estadual.
Desdobramentos da Operação Sangria na saúde pública
A investigação matriz teve início em meados de 2020, quando órgãos de controle apontaram irregularidades na aquisição emergencial de 28 respiradores pulmonares destinados a um hospital de campanha montado na capital amazonense. Os equipamentos foram comprados sem licitação por meio de uma transação que envolveu uma empresa do ramo hospitalar e uma adega comercial, gerando questionamentos sobre superfaturamento e adequação técnica dos aparelhos para uso em unidades de terapia intensiva.
Naquela ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governo estadual e à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas. Durante as diligências na residência oficial, os policiais apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e uma quantia em dinheiro, além de notarem elementos estruturais e de acabamento que posteriormente fundamentaram novas linhas de apuração sobre o patrimônio e os gastos com benfeitorias.
Avanço das apurações sobre gastos com mobiliário
Com o avanço das diligências, a Operação Verniz concentrou esforços em rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro utilizado na compra dos móveis de luxo. A Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra alvos específicos, incluindo o profissional de arquitetura responsável pela execução da obra, com a finalidade de coletar provas documentais e digitais.
As autoridades buscam determinar a responsabilidade pelo fracionamento ou pela emissão de notas em nome de terceiros, prática comumente associada a tentativas de burlar o sistema financeiro formal. O inquérito policial analisa se os atos configuram lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, embora ressalte que as diligências em curso representam etapas de averiguação e não constituem condenação definitiva.
Posicionamento da defesa e próximos passos
Em nota oficial divulgada à imprensa após a deflagração da nova fase, a defesa jurídica declarou que o ex-governador não foi alvo de buscas recentes e reforçou que permanece à disposição dos órgãos de Justiça para prestar eventuais esclarecimentos necessários. Em manifestações anteriores sobre as reformas do imóvel, os representantes legais já haviam negado a ocorrência de qualquer irregularidade.
O portal O Amazonas continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos do inquérito conduzido pelas autoridades federais. Para manter-se informado sobre os principais fatos da política regional, economia e segurança pública com rigor e contextualização, siga acompanhando nossa cobertura diária.
Fonte: g1.globo.com