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Fenômeno de terras caídas obriga ribeirinhos a mudarem casas durante estiagem no Amazonas

Fenômeno de terras caídas obriga ribeirinhos a mudarem casas durante estiagem no Amazonas
Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A seca rigorosa registrada no estado do Amazonas intensifica um processo geológico dramático nas margens dos rios, conhecido localmente como terras caídas. O fenômeno provoca desmoronamentos expressivos e coloca em risco moradias, escolas e infraestruturas essenciais em comunidades tradicionais, exigindo deslocamentos constantes por parte das famílias ribeirinhas.

De acordo com levantamentos da Defesa Civil, mais de 100 mil famílias sofrem os impactos diretos da estiagem em território amazonense. O cenário de emergência climática e hidrológica mobiliza dezenas de municípios, enquanto o rebaixamento drástico dos leitos fluviais redesenha a paisagem e impõe barreiras severas à subsistência local.

O avanço da erosão fluvial em Juruá

Na comunidade São Francisco da Mangueira, situada no município de Juruá, a força implacável da erosão já forçou moradores a desmontar e reconstruir suas residências em pontos mais afastados da margem. Estruturas comunitárias, a exemplo de uma pequena escola da região, também precisaram ser realocadas para escapar da instabilidade do solo.

Pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apontam que o processo resulta da ação erosiva contínua das águas sobre os barrancos, gerando um desgaste profundo que desprende imensos blocos de terra. Para mitigar os prejuízos, a escolha de novos terrenos conta com o saber tradicional dos ribeirinhos, que utilizam sua experiência histórica para antecipar o comportamento das margens fluviais.

Prejuízos à infraestrutura básica e ao abastecimento

A necessidade de recuar rumo ao interior da mata traz consigo novos desafios logísticos e operacionais para quem habita a região. O acesso à água potável torna-se mais árduo, obrigando os moradores a adotarem sistemas de bombeamento para suprir o consumo diário nas residências.

Além disso, a queda contínua de barreiras compromete a vegetação nativa e derruba postes de sustentação da rede elétrica. Diante do avanço dos desmoronamentos, os próprios comunitários assumem a tarefa de transportar a fiação e os postes para áreas consideradas provisoriamente seguras, driblando o isolamento e a falta de suporte imediato.

Impactos diretos na economia e na pesca artesanal

A estiagem extrema também paralisa a engrenagem econômica que sustenta o cotidiano da comunidade São Francisco da Mangueira. O manejo de espécies fundamentais para a região, como o tambaqui e o pirarucu, sofre atrasos severos em decorrência do esvaziamento dos córregos que dão acesso aos lagos de pesca.

Com os caminhos fluviais bloqueados pela lama e pela escassez de água, os pescadores locais precisam paralisar as atividades e aguardar a recuperação do nível dos rios. A Defesa Civil Nacional segue monitorando o quadro de alerta nos municípios afetados, enquanto a população ribeirinha permanece em constante adaptação diante das incertezas impostas pelo clima na Amazônia.

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Fonte: g1.globo.com

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