O governo federal intensificou as investigações sobre a origem dos incêndios que assolam o estado do Amazonas, levantando a suspeita de uma articulação criminosa deliberada. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que a disparada nos focos de calor, que tem coberto Manaus com uma densa camada de fumaça, não pode ser atribuída apenas a práticas agrícolas convencionais ou ao impacto do fenômeno climático El Niño.
Indícios de organização em áreas preservadas
Após realizar sobrevoos nas regiões mais críticas, incluindo o entorno do Rio Urubu, em Itacoatiara, o ministro relatou ter avistado centenas de focos de incêndio em áreas de floresta densa e preservada, distantes de zonas de exploração agropecuária. Para as autoridades, essa localização geográfica é um forte indicativo de que o fogo não resultou de queimadas de manejo que saíram do controle, mas de uma estratégia intencional para promover a degradação ambiental e viabilizar a ocupação ilegal de terras públicas.
A percepção de que os responsáveis agem de forma organizada e intensa motivou uma resposta robusta do Executivo. O governo federal enviou um contingente de cerca de 300 brigadistas e 11 aeronaves para reforçar o combate às chamas, com a expectativa de reverter o cenário crítico nos próximos dias. A atuação conjunta envolve a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que buscam identificar os mentores por trás da destruição.
Conexão política sob análise
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a possível relação entre a crise ambiental e o período eleitoral. Segundo Capobianco, a utilização dos incêndios como munição em propaganda política por figuras públicas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que acusou o governo federal de negligência, é um fator que compõe a linha de apuração. Embora ainda seja tratada como uma hipótese, a conexão política é vista como um elemento que pode explicar a intensidade atípica das queimadas neste momento.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) corroboram a gravidade da situação. Desde o início do mês, o Amazonas contabilizou 1.608 focos de incêndio, superando significativamente os 874 registros de todo o mês de outubro de 2025. Esse aumento ocorre apesar da tendência de queda no desmatamento observada entre 2022 e 2025, o que reforça a tese de que o cenário atual é fruto de uma ruptura deliberada na dinâmica de preservação da região.
Impacto direto na rotina de Manaus
A crise ambiental transcende a floresta e impacta diretamente a saúde pública. Em Manaus, a qualidade do ar atingiu níveis preocupantes, levando a Prefeitura a suspender as aulas nas escolas públicas desde a última sexta-feira. A fumaça persistente tem sido o principal desafio para a população de 2,3 milhões de habitantes, que aguarda medidas efetivas para a dispersão dos poluentes e o controle definitivo dos focos de incêndio.
O portal O Amazonas segue acompanhando o desdobramento desta investigação e os impactos das ações de combate em todo o estado. Continue conectado para receber atualizações precisas sobre a crise climática e as medidas de segurança pública que afetam a nossa região.
Fonte: g1.globo.com