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Queimadas no Amazonas: Ibama extingue quase 300 focos e investiga indícios de crimes

Queimadas no Amazonas: Ibama extingue quase 300 focos e investiga indícios de crimes
Foto: Reprodução/Ibama

Em meio a um cenário de crise ambiental que assola o estado do Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou a extinção de 292 focos de incêndio entre os meses de junho e outubro deste ano. A informação, divulgada nesta terça-feira (13) por meio das redes sociais, destaca o esforço contínuo das equipes, que seguem mobilizadas no combate a outros oito focos ativos em diversas regiões do estado. A situação se agrava com a piora da qualidade do ar e a suspeita de ações criminosas por trás de muitos dos incêndios.

Diante da escalada das queimadas, uma força-tarefa do governo federal foi acionada no último sábado (10), reforçando as operações com a chegada de brigadistas e aeronaves a Manaus. A mobilização reúne um contingente de 290 brigadistas, operando tanto em solo quanto com apoio aéreo, para conter o avanço do fogo em áreas críticas e monitorar as regiões mais afetadas.

A Força-Tarefa Federal e o Combate Aéreo às Queimadas no Amazonas

A estratégia de combate às chamas conta com um robusto aparato aéreo. O Ibama informou que, somente na segunda-feira (12), aeronaves da instituição despejaram mais de 10 mil litros de água sobre focos de incêndio na Região Metropolitana de Manaus. Ao todo, 11 aeronaves foram destinadas à operação no Amazonas: seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.

Cada tipo de aeronave desempenha um papel crucial na operação. Os aviões Air Tractor são responsáveis pelo lançamento direto de água sobre as áreas em chamas, enquanto o cargueiro KC-390 tem a capacidade de transportar e despejar grandes volumes de água ou líquido retardante. Os helicópteros são essenciais para o transporte rápido de brigadistas e equipamentos, e o avião Caravan oferece apoio logístico fundamental às equipes em campo.

As aeronaves foram estrategicamente distribuídas para cobrir diversas localidades, incluindo Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins, com um planejamento que prevê a instalação de uma base de apoio aéreo em Itacoatiara. Contudo, as operações enfrentaram desafios significativos. Na segunda-feira (12), a intensa fumaça comprometeu a visibilidade, impedindo a atuação da maioria das aeronaves. Apenas o KC-390 e três helicópteros conseguiram voar, acumulando 67,2 horas de voo até a tarde daquele dia. O cargueiro da FAB realizou três viagens na região do Baixo Amazonas, próximo a Parintins, com mais voos previstos para terça-feira (13) em Parintins e Itacoatiara.

Indícios de Incêndios Criminosos e a Busca por Responsáveis

A gravidade da situação foi ressaltada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, após sobrevoar as áreas atingidas no domingo (11). O ministro classificou o cenário como “mais grave do que imaginava”, destacando a identificação de muitos focos de incêndio em florestas preservadas, e não apenas o avanço do fogo de pastagens para a mata.

Essa observação levanta fortes suspeitas de ação humana intencional, possivelmente ligada à degradação da vegetação para futuros desmatamentos e grilagem de terras. Capobianco enfatizou a necessidade de o governo do Amazonas mobilizar a Polícia Militar para atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros, não só no combate direto, mas também na identificação e responsabilização dos culpados. “É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, afirmou o ministro, sublinhando a importância da justiça ambiental. O g1 buscou posicionamento do Governo do Amazonas e da Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-AM) sobre a atuação da Polícia Militar, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

O Cenário das Queimadas e Seus Impactos na População

Os números refletem a dimensão da crise. Nos primeiros dez dias de outubro deste ano, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, um aumento alarmante de 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 focos. Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), revelam que a maioria desses focos (1.186) ocorreu em áreas públicas, com registros também em propriedades privadas (93) e locais de situação fundiária indefinida (101). Assentamentos federais (246), terras indígenas (116) e unidades de conservação (97) também foram duramente atingidos. Para mais informações sobre o monitoramento, acesse o Painel do Fogo do Censipam.

As consequências diretas para a população são severas. Mais da metade dos municípios amazonenses foram declarados em situação de emergência. Em Manaus, a fumaça persistente das queimadas continua a comprometer a qualidade do ar. Na manhã desta terça-feira (13), embora houvesse uma leve melhora em relação ao dia anterior, a capital ainda ostentava o título de cidade com o ar mais poluído do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. O Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) chegou a 92, considerado moderado, mas a concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³), cerca de 6,3 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Bairros como Puraquequara e Coroado registraram índices ainda piores, com a qualidade do ar classificada como “ruim” e “muito ruim”, respectivamente. A fumaça já levou à suspensão de aulas e jogos de base, impactando a rotina e a saúde dos manauaras.

Resposta Integrada e Apoio Humanitário

A crise mobilizou os três níveis de governo. A Prefeitura de Manaus decretou estado de atenção em 24 de setembro, medida que se mantém ativa. O Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), reconheceu a situação de emergência em 36 municípios amazonenses no sábado (10), o mesmo dia em que o estado de emergência foi decretado pelo governo estadual.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, explicou que esse reconhecimento federal é crucial, pois permite a atuação integrada das forças de resposta e o repasse de recursos para o estado. Além do combate direto ao fogo, o foco se estende à assistência humanitária e médica para as pessoas afetadas. Equipes da Força Nacional do SUS já estão atuando na região, prestando apoio à saúde da população impactada pela fumaça e pelos incêndios.

Acompanhe O Amazonas para se manter informado sobre a evolução das queimadas, as ações de combate e as repercussões dessa crise ambiental. Nosso portal está comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando os desafios e as soluções para o futuro da nossa região e do país.

Fonte: g1.globo.com

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