PUBLICIDADE

Fumaça encobre Manaus e qualidade do ar atinge níveis críticos nesta segunda-feira

Fumaça encobre Manaus e qualidade do ar atinge níveis críticos nesta segunda-feira
1 de 1 Fumaça encobre Manaus — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A capital amazonense enfrentou, nesta segunda-feira (12), um cenário de visibilidade reduzida e preocupação com a saúde pública. Durante todo o dia, uma densa camada de fumaça permaneceu sobre Manaus, resultado direto da dificuldade da atmosfera em dispersar os poluentes acumulados. A situação colocou a cidade no topo do ranking nacional de pior qualidade do ar, segundo dados da plataforma internacional IQAir, que monitora a concentração de partículas finas em tempo real.

Fatores climáticos e a estagnação dos poluentes

A meteorologista Andrea Ramos explicou que a persistência da fumaça está ligada a uma combinação de fatores meteorológicos adversos. Embora o aquecimento diurno costume favorecer a dispersão de poluentes, o processo não foi suficiente nesta segunda-feira. A ausência de ventos intensos e a falta de precipitações significativas impediram que a massa de fumaça fosse removida ou transportada para fora da área urbana.

O impacto é sentido diretamente pela população. Registros feitos por moradores, como no Conjunto Castanheiras, no bairro Gilberto Mestrinho, mostram o horizonte encoberto, com a visibilidade drasticamente reduzida. A plataforma IQAir classificou a qualidade do ar como “insalubre”, com o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) atingindo picos de 181, após registrar 195 durante o período da manhã.

Monitoramento e riscos à saúde

A gravidade da situação também foi confirmada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Sensores espalhados pela capital classificaram a qualidade do ar como “péssima” ou “muito ruim” na maior parte da cidade. Apenas a região central apresentou, momentaneamente, um nível considerado “moderado”.

Os dados revelam uma exposição preocupante: a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 19,6 vezes o valor de referência anual estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa exposição prolongada a poluentes finos representa riscos imediatos ao sistema respiratório e cardiovascular, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças e idosos.

O papel do El Niño e o aumento das queimadas

O fenômeno climático El Niño tem desempenhado um papel central no agravamento deste cenário. Ao reduzir as chuvas e elevar as temperaturas na região amazônica, o fenômeno deixa a vegetação extremamente seca, tornando-a mais suscetível à propagação do fogo. Embora o El Niño não seja a causa direta da fumaça, ele cria o ambiente propício para que os focos de incêndio se multipliquem e persistam.

Os números refletem essa realidade alarmante. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, um salto de 271% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 registros. Os dados, provenientes do Painel do Fogo do Censipam, indicam que a maior parte das queimadas ocorre em áreas públicas, mas também atingem terras indígenas e unidades de conservação.

Perspectivas para os próximos dias

A previsão meteorológica indica que o alívio pode ser gradual. A expectativa é de pouca chuva entre esta segunda e terça-feira, com um aumento na probabilidade de pancadas apenas a partir de quarta (14) e quinta-feira (15). A meteorologista Andrea Ramos ressalta que uma condição de chuva mais frequente, capaz de limpar o ar de forma mais efetiva, deve ocorrer apenas no fim de semana.

O portal O Amazonas segue acompanhando de perto os desdobramentos da qualidade do ar na capital e as ações de combate aos focos de incêndio em todo o estado. Continue conosco para se manter informado sobre as condições climáticas e os impactos ambientais que afetam nossa região com reportagens apuradas e compromisso com a verdade.

Fonte: g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE