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Queimadas em Parintins elevam preço da farinha em 100% e ameaçam sustento de produtores

Queimadas em Parintins elevam preço da farinha em 100% e ameaçam sustento de produtores
Foto: Reprodução/Rede Amazônica

As intensas queimadas que assolam a região de Vila Amazônia, em Parintins, no interior do Amazonas, têm provocado um cenário de destruição nas plantações e um impacto direto e severo nos preços dos alimentos comercializados na cidade. A situação, que em um dos momentos críticos do avanço das chamas já alcançava o quinto dia de combate, tem gerado prejuízos incalculáveis para os produtores rurais, que veem safras inteiras serem consumidas pelo fogo.

A crise ambiental e econômica se reflete rapidamente na Feira do Produtor de Parintins, onde os consumidores já se deparam com produtos regionais significativamente mais caros e uma oferta cada vez mais escassa. A elevação de preços atinge, sobretudo, os derivados da mandioca, um alimento base na dieta amazônica. O frasco de farinha, por exemplo, que antes era vendido a R$ 10, agora é encontrado por R$ 20, representando um aumento de 100%.

Impacto direto nas lavouras e na economia familiar

A devastação causada pelas queimadas vai além dos números e atinge o cerne da subsistência de muitas famílias. A produtora rural Rute Carneiro, em depoimento à Rede Amazônica, expressou a dimensão da perda. “Nosso prejuízo não é nem calculável. É de onde a gente tira o nosso sustento. Todos os anos plantamos para colher no outro, porque a produção é mais custosa”, afirmou, ressaltando o ciclo de dependência da terra para a sobrevivência.

Outro caso emblemático é o de Alexandre Sarmento, que perdeu extensas plantações de macaxeira, melancia e mandioca. A preocupação agora se volta para as novas áreas de cultivo, que representam a esperança de recuperação para os próximos anos. “Macaxeira, melancia, mandioca, foi tudo embora. Agora estamos rezando para não chegar no novo, porque, se chegar, é tchau. Serão três anos para comer de novo”, lamentou Sarmento, evidenciando a vulnerabilidade dos agricultores diante da força incontrolável do fogo.

Avanço das chamas e comprometimento da qualidade

Além da alta dos preços e da redução da oferta, os incêndios também comprometem a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos parintinenses. A banana, por exemplo, não consegue se desenvolver plenamente, conforme relatos dos produtores. Produtos tradicionais e importantes para a economia local, como tucumã e pupunha, estão desaparecendo gradualmente das bancas, impactando não apenas o consumo, mas também a cultura alimentar da região.

Vila Amazônia é reconhecida como um dos principais polos de produção rural de Parintins, o que torna a situação ainda mais crítica. Com o avanço incessante do fogo, os agricultores locais se desdobram em esforços para conter as chamas e evitar perdas ainda maiores, mas enfrentam dificuldades significativas no combate aos incêndios, muitas vezes com recursos limitados.

A dimensão da destruição e o contexto regional das queimadas

Os dados do Corpo de Bombeiros de Parintins revelam a gravidade da situação: a área já atingida pelas queimadas ultrapassa os 53 hectares, o que equivale a aproximadamente 74 campos de futebol. E o fogo, infelizmente, continua a avançar pela região, ameaçando mais lavouras e a biodiversidade local. Este cenário em Parintins se insere em um contexto mais amplo de crise ambiental no Amazonas.

O Ministério do Meio Ambiente, em resposta à escalada dos incêndios no estado, anunciou o reforço de seis aeronaves e 290 brigadistas para combater as chamas em diversas frentes. A fumaça decorrente das queimadas, por sua vez, tem dificultado o trabalho e agravado problemas respiratórios de moradores em Manaus, a capital do estado, onde a população clama por soluções, ecoando a frase de que “o pulmão do mundo está sufocando”. A situação em Parintins é um reflexo direto dessa crise, que exige atenção e ações coordenadas para proteger o meio ambiente e garantir o sustento das comunidades.

Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre as queimadas no Amazonas, os impactos na economia local e as ações de combate, acesse O Amazonas. Nosso portal está comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando os temas que realmente importam para você e para a nossa região.

Fonte: g1.globo.com

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