O combate aos incêndios florestais no Amazonas, que enfrentam um período crítico com milhares de focos registrados desde setembro, tornou-se palco de um impasse institucional. O comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, declarou publicamente que o Governo Federal teria negado um pedido de apoio para o enfrentamento ao fogo, gerando uma resposta imediata e contundente do Ministério do Meio Ambiente, que nega a recusa e aponta uma série de ações já em curso na região.
O impasse sobre o suporte aéreo e terrestre
A controvérsia ganhou corpo após uma entrevista do coronel Muniz ao Jornal do Amazonas 1ª Edição. Segundo o comandante, a corporação solicitou aeronaves específicas para o combate às chamas, argumentando que muitos focos de queimada estão localizados em áreas de responsabilidade federal. O oficial reiterou a necessidade de somar esforços entre as esferas estadual e federal para viabilizar um enfrentamento qualificado diante da dimensão dos danos ambientais.
Em contrapartida, o secretário extraordinário de controle do desmatamento e ordenamento ambiental e territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, refutou a versão do CBMAM. Lima destacou que o apoio não apenas foi oferecido, como já está sendo executado. Segundo o ministério, equipes do Ibama e do ICMBio atuam em diversos pontos do estado, e a estrutura de combate conta com o suporte do programa Resposta a Ações Integradas para Situações de Desastres (Respad) e do projeto Pegasus, ambos vinculados ao Ministério da Justiça.
A atuação federal e o suporte logístico
O Ibama reforçou a tese de que a solicitação feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas (Sema-AM) em 23 de setembro foi prontamente atendida. O órgão federal afirma que disponibilizou helicópteros e brigadistas para auxiliar no controle das chamas. Além disso, o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, detalhou que a atuação ocorre em municípios estratégicos como Humaitá, Lábrea, Manicoré, Apuí, Autazes, Nova Olinda do Norte e Barreirinha.
Para além da logística imediata, o Governo Federal aponta investimentos estruturais. Foi aprovado o repasse de R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para o projeto ProAmazon, destinado ao Corpo de Bombeiros estadual. O recurso visa a aquisição de viaturas, carros de combate a incêndios florestais e equipamentos de proteção individual, itens essenciais para fortalecer a capacidade operacional da corporação a longo prazo. Mais informações sobre a situação podem ser acompanhadas pelo portal oficial do Ibama.
Impacto ambiental e a pressão sobre o território
A crise das queimadas no Amazonas vai muito além da disputa política. A fumaça que encobre cidades como Manaus tem gerado um grave problema de saúde pública, com o aumento das internações por doenças respiratórias e o sufocamento da rotina dos moradores. Comunidades rurais, como a de Canaçari, em Itacoatiara, relatam o enfrentamento constante ao fogo por semanas, evidenciando a vulnerabilidade das populações locais.
A necessidade de uma resposta coordenada é urgente, dada a extensão territorial do estado e a dificuldade de acesso a áreas remotas. Enquanto a divergência sobre o pedido de ajuda segue sem um ponto de convergência claro entre as autoridades, a população aguarda por medidas mais eficazes que garantam a preservação da floresta e a qualidade do ar. O portal O Amazonas segue acompanhando os desdobramentos desta crise ambiental e os próximos passos das operações de combate ao fogo em todo o estado.
Fonte: g1.globo.com