O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) divulgou, em coletiva de imprensa realizada neste domingo (4), o balanço do primeiro turno das eleições no estado, revelando uma taxa de abstenção de aproximadamente 20%. Os dados apresentados pelo órgão destacam não apenas a participação do eleitorado, mas também o esforço conjunto de diversas instituições para garantir a segurança e a transparência do pleito em uma região com desafios logísticos singulares.
A desembargadora Carla Reis, presidente do TRE-AM, ressaltou o compromisso da instituição com a integridade do processo eleitoral. “O balanço das ocorrências demonstra o compromisso do TRE-AM com a transparência, a segurança e a garantia do exercício pleno da cidadania a todos os eleitores amazonenses, que é possível graças ao empenho conjunto de todas as instituições envolvidas na realização das eleições”, afirmou.
Participação do Eleitorado e o Incentivo aos Idosos
A taxa de 20% de abstenção no Amazonas, embora seja um dado a ser analisado, reflete um comportamento que pode ser influenciado por diversos fatores, desde a desinformação até as dificuldades de acesso aos locais de votação em um estado de dimensões continentais. No entanto, um ponto de destaque foi o aumento da participação de eleitores idosos.
Esse crescimento é atribuído, em parte, ao uso do comprovante de votação como prova de vida para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa medida, que vincula um direito social fundamental ao exercício da cidadania, pode ter incentivado muitos idosos a comparecerem às urnas, garantindo a continuidade de seus benefícios e reforçando a importância do voto para essa parcela da população.
Apesar da fluidez geral, algumas seções eleitorais registraram filas e períodos de espera. O TRE-AM informou que essas ocorrências foram pontuais e não comprometeram o andamento da votação, sendo resultado do maior número de eleitores em determinados locais e do tempo necessário para a digitação dos votos nas urnas eletrônicas.
Operação de Segurança e Combate a Irregularidades
A segurança do pleito foi um dos pilares da organização, contando com uma robusta operação envolvendo órgãos estaduais, federais e as Forças Armadas. A Polícia Federal (PF) contabilizou 24 ocorrências relacionadas às eleições na última semana, resultando em seis prisões e na apreensão de aproximadamente R$1,9 milhão. As investigações focaram em crimes eleitorais como compra de votos, boca de urna e corrupção eleitoral, que minam a lisura e a legitimidade do processo democrático.
Manaus concentrou a maioria dos registros da PF, com 16 ocorrências, 18 pessoas conduzidas e cinco prisões. Outros municípios do interior, como Iranduba, Tefé, Manacapuru, Coari, Parintins, São Gabriel da Cachoeira e Itacoatiara, também registraram casos. Em Coari, uma ocorrência de suspeita de compra de votos levou à apreensão de R$ 690 em espécie e material de propaganda, os populares “santinhos”. A Polícia Civil, por sua vez, não registrou procedimentos em Manaus, mas contabilizou 17 ocorrências relevantes no interior do estado.
O Comando Conjunto das Forças Armadas desempenhou um papel crucial, mobilizando 6.102 militares em 69 municípios da região, sendo 44 no Amazonas. Com 182 viaturas, 142 embarcações e 15 aeronaves, a operação garantiu segurança e apoio logístico em 774 locais de votação, evidenciando a complexidade de realizar eleições em um território tão vasto e de difícil acesso como o amazônico.
A Fiscalização do Ministério Público Eleitoral e os ‘Santinhos’
O Ministério Público Eleitoral (MPE) também atuou intensamente na fiscalização, com foco especial no derramamento de material de propaganda eleitoral, os chamados “santinhos”, prática comum e prejudicial ao meio ambiente e à organização dos locais de votação. O procurador regional eleitoral Edmilson Barreiros avaliou que houve uma diminuição dessa prática em colégios eleitorais importantes, como em Parintins.
Barreiros explicou que a legislação estabelece um prazo de dois dias após a eleição para o ajuizamento das representações cíveis relacionadas a esse tipo de irregularidade, com as ações sendo encaminhadas para análise individual. A responsabilização pode ocorrer tanto nas esferas criminal quanto cível-eleitoral, com base nos elementos coletados durante a fiscalização e nas investigações policiais. Relatórios de Manaus, Tefé e Manacapuru já foram recebidos e estão sob análise.
O balanço do primeiro turno no Amazonas reflete a complexidade e a resiliência do sistema eleitoral brasileiro. A combinação da participação cívica, da fiscalização rigorosa e da logística de segurança é fundamental para assegurar que a vontade popular seja respeitada. Os desafios, como a abstenção e os crimes eleitorais, exigem atenção contínua e aprimoramento das estratégias para fortalecer a democracia na região.
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Fonte: g1.globo.com