A capital amazonense, Manaus, enfrenta um cenário de preocupação com a contínua vazante do Rio Negro. Dados recentes do monitoramento do Porto de Manaus revelam que o nível do rio atingiu 18,59 metros nesta quinta-feira, 2 de novembro de 2026. Este patamar representa uma redução significativa de 3,85 metros em comparação com a mesma data do ano anterior, quando o rio marcava 22,44 metros.
A queda acentuada reflete a intensificação da estiagem que assola a região, impactando diretamente a vida de milhares de pessoas e a dinâmica econômica do estado. A situação já levou 22 municípios do Amazonas a decretarem estado de emergência, evidenciando a gravidade do fenômeno.
Acelerada Vazante e Seus Impactos
O mês de setembro de 2026 foi particularmente crítico para o Rio Negro. Em apenas 30 dias, o rio perdeu mais de cinco metros de profundidade, passando de 24,09 metros em 1º de setembro para 18,88 metros em 30 de setembro. Essa redução drástica de 5,21 metros em um período tão curto demonstra a velocidade com que a estiagem avança.
Para as comunidades ribeirinhas e para a própria capital, a baixa do Rio Negro tem consequências diretas. A navegação, essencial para o transporte de pessoas e mercadorias, torna-se mais difícil e perigosa, com embarcações encalhadas e rotas alteradas. O acesso a serviços básicos e o abastecimento de alimentos também são severamente comprometidos, exigindo ações emergenciais.
Amazonas em Alerta Máximo
O boletim mais recente da Defesa Civil do Amazonas, divulgado em 1º de novembro, detalha a extensão da crise hídrica. Dos 62 municípios amazonenses, 22 estão em situação de emergência, 18 em alerta e 13 em atenção, restando apenas nove em condição de normalidade. Essa distribuição geográfica da seca mostra a amplitude do problema em todo o estado.
A situação de emergência implica na necessidade de mobilização de recursos e esforços para mitigar os impactos da seca, que incluem a escassez de água potável, dificuldades no transporte e na produção agrícola. Como parte das ações de enfrentamento, o governo estadual informou o envio de 167 kits de purificadores de água para os municípios mais afetados ao longo de 2026.
El Niño e as Projeções Climáticas Desfavoráveis
A confirmação do fenômeno El Niño pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em seu boletim de 1º de setembro acende um sinal de alerta para a evolução da estiagem na Região Norte. Segundo o órgão, as bacias dos rios Negro e Branco são as áreas de maior preocupação na Amazônia, onde a combinação de baixos níveis fluviais, déficit de chuvas e previsões climáticas desfavoráveis exige um acompanhamento contínuo.
Para os rios Amazonas, Solimões e Tapajós, a projeção é de que a vazante continue dentro do comportamento histórico, mas com a possibilidade de um prolongamento caso o retorno das chuvas se atrase. Este cenário reforça a necessidade de planejamento e preparação para um período de seca potencialmente mais longo e intenso do que o habitual. Mais informações sobre o monitoramento podem ser encontradas no site do Serviço Geológico do Brasil.
A Memória de 2024 e os Desafios Atuais
Embora a cota atual do Rio Negro (18,59 metros) ainda esteja 6,48 metros acima do nível registrado na mesma data de 2024, ano em que o Amazonas enfrentou a maior seca desde o início das medições, a situação de 2026 é alarmante quando comparada a um ano de normalidade hídrica, como 2025. A redução de 17,2% em relação ao ano passado indica que, mesmo sem atingir o recorde histórico, o estado está novamente sob forte pressão.
A experiência da seca de 2024 serve como um lembrete dos desafios que a região pode enfrentar. A atual estiagem, agravada pelo El Niño, exige uma resposta coordenada e eficaz para proteger as populações mais vulneráveis e garantir a sustentabilidade dos ecossistemas amazônicos.
Municípios em Situação de Emergência
De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, os municípios atualmente em situação de emergência são:
- Alvarães
- Amaturá
- Atalaia do Norte
- Barreirinha
- Benjamin Constant
- Caapiranga
- Carauari
- Careiro
- Coari
- Eirunepé
- Envira
- Itamarati
- Jutaí
- Manacapuru
- Maués
- Novo Aripuanã
- Presidente Figueiredo
- Santo Antônio do Içá
- São Paulo de Olivença
- Silves
- Tefé
- Tonantins
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Fonte: g1.globo.com