O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho positivo no mês de agosto, com a abertura de 165.827 postos de trabalho com carteira assinada. Os dados, divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, refletem o saldo entre as contratações e as demissões ocorridas no período em todo o território nacional.
O resultado de agosto representa uma recuperação significativa em relação ao mês anterior, quando o país registrou a criação de 58.568 empregos. O salto de 183,1% no saldo mensal indica uma retomada no ritmo de contratações, embora o cenário ainda seja observado com cautela por especialistas diante dos desafios macroeconômicos atuais, como a pressão dos juros altos sobre a atividade produtiva.
Setores que impulsionaram o mercado formal
Todos os cinco grandes setores econômicos pesquisados pelo Caged encerraram o mês com saldo positivo. O setor de serviços liderou a geração de vagas, sendo responsável pela abertura de 110.346 postos. Dentro deste segmento, a educação destacou-se com 25.416 novas contratações, seguida pela área de saúde humana e serviços sociais, que somou 19.142 vagas. O setor de transportes e correios também contribuiu de forma relevante, com a criação de 16.819 postos.
A construção civil ocupou a segunda posição no ranking de geração de empregos, com 20.848 novas vagas, impulsionada principalmente por serviços especializados e obras de infraestrutura. A indústria, por sua vez, registrou 16.613 novos postos, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios, que absorveu 10.171 trabalhadores, e o setor automotivo. O comércio e a agropecuária completaram a lista, com saldos de 16.565 e 1.452 vagas, respectivamente.
Panorama regional e salarial
Regionalmente, o impacto positivo foi distribuído por todo o país, com as cinco regiões registrando saldos favoráveis. O Sudeste concentrou o maior volume de novas contratações, com 73.167 postos, seguido pelo Nordeste, com 59.356. Entre as unidades da Federação, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco figuraram como os estados com maior dinamismo na criação de empregos formais.
Em contrapartida, três estados apresentaram saldo negativo em agosto: Rio Grande do Sul, Rondônia e Espírito Santo. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as demissões nestas localidades estão ligadas a fatores sazonais específicos, como o encerramento da safra de café no Espírito Santo e ajustes na indústria do fumo e comércio no Rio Grande do Sul.
Quanto à remuneração, o salário médio real de admissão fixou-se em R$ 2.410,74. Embora tenha havido uma leve redução de 0,03% em comparação a julho, o valor representa um crescimento de 1,02% quando confrontado com o mesmo período de 2025. Com esse movimento, o estoque total de trabalhadores com carteira assinada no Brasil alcançou a marca de 48.244.696 pessoas ao final de agosto.
Contexto e desafios do mercado de trabalho
Apesar do resultado positivo em agosto, o acumulado de 2026 aponta para uma desaceleração na comparação com o ano anterior. De janeiro a agosto, o país registrou 1.134.033 novas vagas, uma queda de 25,2% frente ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 1.516.881. O cenário é acompanhado de perto por analistas, que consideram o impacto das políticas monetárias e a conjuntura econômica global na dinâmica de contratações das empresas brasileiras.
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