O cenário político amazonense se aqueceu nesta segunda-feira (28) com o penúltimo debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela TV A Crítica. O encontro, que antecede o primeiro turno das eleições em 4 de outubro, reuniu os postulantes Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL), Roberto Cidade (União Brasil), David Almeida (Avante) e Isael Munduruku (Rede Sustentabilidade) em um embate direto sobre os temas mais sensíveis e urgentes para a população do estado.
A discussão aprofundou-se em áreas cruciais como segurança pública, infraestrutura, atendimento a crianças atípicas, políticas para povos originários, geração de emprego e renda para jovens, e, de forma veemente, a defesa e ampliação do modelo econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM). O formato do debate, dividido em cinco blocos, permitiu confrontos diretos e a exposição detalhada das propostas e críticas de cada candidato.
Primeiros confrontos: povos originários e crianças atípicas
O primeiro bloco deu o tom do debate, com David Almeida e Isael Munduruku abrindo a rodada. O atual prefeito de Manaus questionou os investimentos estaduais em ações para povos originários nos últimos oito anos. Isael, por sua vez, criticou a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas, argumentando que a falta de condições mínimas impede o desenvolvimento de políticas públicas eficazes e defendeu o voto em candidatos indígenas para representação legítima. David, na réplica, destacou iniciativas da Prefeitura de Manaus, enquanto Isael reiterou a insuficiência das gestões estaduais.
Em seguida, Roberto Cidade questionou Omar Aziz sobre propostas para crianças atípicas e a expansão de projetos para o interior. Omar mencionou a criação de uma secretaria para pessoas com deficiência em sua gestão anterior e criticou as administrações de Wilson Lima e do próprio Roberto Cidade. Cidade rebateu, apontando a ausência de propostas concretas de Omar para crianças atípicas, um tema de crescente preocupação social e familiar no estado.
Infraestrutura e segurança pública em pauta
A infraestrutura viária entrou em foco quando Maria do Carmo questionou David Almeida sobre um acidente fatal envolvendo uma mulher grávida. O prefeito defendeu as ações de recapeamento e tapa-buracos de sua gestão, classificando a morte como fatalidade, e fez referências ao passado da candidata e de sua família, o que Maria do Carmo classificou como mentiras. Esse momento evidenciou a tensão pessoal entre os adversários, que permeou parte do debate.
A segurança pública foi outro ponto de grande embate. Isael Munduruku questionou Roberto Cidade sobre o combate ao tráfico de drogas, a convocação de concursados e o funcionamento das delegacias 24 horas. Cidade detalhou ações contra o crime organizado e a realização de novos concursos, criticando um episódio em que um homem usou uma criança para questionar a convocação de aprovados. Encerrando o bloco, Omar Aziz e Maria do Carmo debateram propostas para o primeiro emprego de jovens. Maria defendeu a ampliação do ensino médio e técnico, enquanto Omar propôs estágio remunerado de seis meses para maiores de 18 anos sem experiência, com Maria pontuando que o estágio já existe e defendendo o ensino integral.
Saúde, educação e a Zona Franca de Manaus no centro do embate
O segundo bloco aprofundou-se na saúde e educação, temas que historicamente geram grande insatisfação popular. Roberto Cidade questionou David Almeida sobre projetos para a saúde. David respondeu citando ações de infraestrutura em sua gestão tampão em 2017 e afirmou que a saúde de Manaus é referência, enquanto a do estado estaria em situação crítica. Cidade, na réplica, acusou David de não cumprir promessas, enquanto David o acusou de direcionar atendimentos.
Omar Aziz e Isael Munduruku discutiram a educação. Isael criticou as condições da educação estadual e defendeu melhores condições de trabalho para os profissionais, questionando a atuação de Omar como senador. Maria do Carmo confrontou Roberto Cidade sobre contratos de empresas de sua família com o Estado, o que Cidade rebateu com críticas à família dela e Maria mencionou operações da Polícia Federal e mortes na pandemia. David Almeida e Omar Aziz voltaram a debater educação, com Omar citando reajustes e criticando valores para construção de escolas, enquanto David mencionou a Cidade Universitária inacabada.
A Zona Franca de Manaus (ZFM), pilar econômico do Amazonas, foi o último tema do bloco. Isael Munduruku questionou Maria do Carmo sobre o modelo, citando críticas de Flávio Bolsonaro. Maria afirmou que, como candidata à Presidência, ele defende a ZFM e prometeu fortalecê-la e interiorizá-la. Isael pediu que Maria não misturasse política com a discussão da ZFM, defendendo que os amazonenses não aceitem mudanças prejudiciais. Maria, na tréplica, citou visitas a comunidades indígenas e defendeu que eles usufruam das riquezas de seus territórios.
Rodadas decisivas: gestão e combate ao crime organizado
Nos blocos seguintes, com tempo mais flexível, os candidatos aprofundaram suas visões de gestão. David Almeida questionou Isael Munduruku sobre educação, e o candidato da Rede defendeu a valorização profissional e a ampliação da capacidade de ensino. David criticou gestões anteriores, comparando-as à sua administração em Manaus, e Isael rebateu as críticas.
Maria do Carmo confrontou Omar Aziz sobre a revitalização do Amazonas. Omar citou a PEC da ZFM para competitividade e investimentos em logística, destacando ações de seus governos, como escolas de tempo integral e segurança pública, prometendo corrigir falhas e combater o mau uso de recursos. Maria defendeu um “choque de gestão” em turismo, infraestrutura e logística. Omar, por sua vez, enfatizou sua experiência e a intenção de ampliar convocações para segurança e educação.
O confronto entre David Almeida e Roberto Cidade focou na saúde. Cidade defendeu suas ações na área, enquanto David o acusou de usar o cargo para negócios. Cidade buscou concentrar a discussão em propostas para o estado. No quarto bloco, Isael Munduruku e Maria do Carmo debateram o combate ao crime organizado. Isael propôs destinar recursos às comunidades para reduzir a influência do tráfico, enquanto Maria defendeu a ampliação da capacidade das forças de segurança.
Fechando a rodada, Omar Aziz e Roberto Cidade voltaram a discutir segurança pública. Cidade citou o aumento do efetivo e apreensões de drogas. Omar questionou o funcionamento das delegacias e defendeu a ampliação do efetivo e ações de prevenção. Cidade respondeu com a atuação dos bombeiros e medidas de segurança já adotadas. Omar criticou os resultados da gestão de Cidade, atribuindo-os à limitação do funcionamento das delegacias, e destacou ações de suas gestões. Cidade rebateu, afirmando que já adota medidas semelhantes às propostas por Omar. Para mais informações sobre o cenário eleitoral no Amazonas, acesse o portal g1.globo.com/am.
À medida que o primeiro turno se aproxima, a intensidade dos debates reflete a importância das escolhas que os eleitores amazonenses farão. Acompanhe O Amazonas para uma cobertura completa e aprofundada das eleições, com análises, notícias e contextos que ajudam a formar uma visão clara sobre o futuro do nosso estado. Nosso compromisso é com a informação relevante e de qualidade, para que você esteja sempre bem informado.
Fonte: g1.globo.com