O cenário político em Coari, no interior do Amazonas, ganhou novos desdobramentos com a imposição de medidas cautelares severas ao prefeito Adail Pinheiro (Republicanos) e a um grupo de ex-secretários municipais. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigados na Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal (PF), passaram a utilizar tornozeleiras eletrônicas. Além do monitoramento, tiveram seus passaportes recolhidos e estão proibidos de deixar o país, marcando um capítulo importante na apuração de supostas irregularidades na gestão pública da cidade.
As restrições judiciais foram aplicadas após a deflagração da operação no último dia 16, que investiga um complexo esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. As suspeitas recaem sobre contratos firmados pela Prefeitura de Coari, indicando um possível uso indevido de verbas públicas que impacta diretamente a população do município. A amplitude das medidas cautelares reflete a gravidade das acusações e a necessidade de garantir a integridade da investigação.
Operação Dinastia do Lago: o escopo das investigações
A Operação Dinastia do Lago, conduzida pela Polícia Federal, tem como foco principal desvendar um intrincado sistema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria se estabelecido na administração municipal de Coari. As investigações apontam para a manipulação de processos licitatórios e o desvio de recursos, incluindo aqueles provenientes de emendas parlamentares destinadas ao município nos anos de 2024 e 2025. O inquérito busca identificar e responsabilizar todos os envolvidos, desde agentes públicos a empresários.
A apuração da TV Globo revelou que as medidas cautelares não se restringem apenas ao prefeito e ex-secretários, mas alcançam também outros indivíduos envolvidos no caso. Entre eles, destacam-se três empresários que foram presos em flagrante no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025, transportando a quantia de R$ 1,25 milhão em espécie sem comprovação da origem. Esse episódio, que serviu como estopim para as investigações, demonstrou a ousadia e a escala das supostas atividades ilícitas.
A origem e os desdobramentos do inquérito
A investigação teve início a partir da prisão dos empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho. A apreensão do dinheiro e a subsequente análise de documentos e aparelhos eletrônicos, autorizada judicialmente, revelaram um padrão de movimentações financeiras suspeitas e ligações com contratos da Prefeitura de Coari. Segundo o processo, empresas vinculadas aos investigados mantinham acordos com o município, e há indícios de que teriam sido utilizadas para fraudar licitações e desviar recursos.
Um despacho do ministro Alexandre de Moraes detalha que os materiais apreendidos indicaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas ligadas aos investigados em benefício tanto do deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito, quanto do próprio Adail Pinheiro. A complexidade dos fatos e o número de pessoas físicas e jurídicas envolvidas levaram a Polícia Federal a solicitar a prorrogação da investigação, concedida por Moraes em 24 de junho de 2026 por mais 60 dias, visando a conclusão de diligências pendentes. Os crimes apurados incluem corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato.
Afastamento e sucessão política em Coari
Antes da imposição das tornozeleiras, Adail Pinheiro já havia sido afastado do cargo de prefeito por 90 dias, em decisão de Alexandre de Moraes datada de 16 de setembro. O afastamento também atingiu secretários municipais que são alvos da investigação. Essa medida visou garantir a lisura das apurações e evitar qualquer interferência na coleta de provas.
Com o afastamento de Adail Pinheiro, a presidência da Câmara Municipal de Coari, ocupada por Jeany Pinheiro (Republicanos), irmã do prefeito, assumiu interinamente a prefeitura. A sucessão se deu em um contexto peculiar, já que o vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, estava afastado de suas funções para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro. A dinâmica familiar na política de Coari se torna um ponto de atenção diante das investigações em curso.
A defesa e o futuro da investigação
A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho manifestou surpresa com a operação e classificou o afastamento do prefeito como desnecessário. Os advogados enfatizaram que os investigados não são réus e não possuem condenação relacionada ao caso, reforçando o princípio da presunção de inocência. Contudo, a imposição de medidas cautelares como o monitoramento eletrônico e a proibição de deixar o país indica a percepção judicial de risco e a necessidade de controle sobre os investigados.
A Operação Dinastia do Lago continua em andamento, e seus desdobramentos serão cruciais para a elucidação completa dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos. A sociedade amazonense acompanha de perto os resultados, esperando transparência e justiça em um caso que expõe a vulnerabilidade dos recursos públicos a esquemas de corrupção. Para ficar por dentro de todas as atualizações e análises aprofundadas sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando O Amazonas, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.
Fonte: g1.globo.com