O estado do Amazonas enfrenta um cenário preocupante em relação às queimadas. Nos primeiros nove meses de 2026, a região já registrou um aumento de 27% no número de focos de calor em comparação com o total contabilizado durante todo o ano de 2025. Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) por meio do painel do Programa Queimadas, acendem um alerta para a saúde ambiental e pública.
Até a última quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o Amazonas acumulava 5.771 focos de calor. Este número contrasta drasticamente com os 4.545 focos registrados em todo o ano de 2025, representando uma diferença de 1.226 focos a mais em um período menor. A escalada desses registros tem consequências diretas, como a recente onda de fumaça que encobriu a capital, Manaus.
Aumento alarmante e o impacto na capital
A análise dos dados mensais de 2026 revela uma concentração significativa de focos de calor nos últimos meses. Enquanto janeiro registrou 18 focos, fevereiro 31, março 41, abril 8 e maio 39, os números começaram a subir em junho (41) e julho (122), disparando em agosto (2.231) e setembro (3.240). Essa progressão indica um agravamento da situação à medida que o período de estiagem avança na região.
O impacto mais visível e imediato dessa alta nos focos de calor é a densa fumaça que tem atingido Manaus. A capital amazonense vivenciou, na mesma quarta-feira, o sexto episódio de fumaça e altos índices de poluição do ar em apenas 15 dias. O monitoramento do aplicativo Selva apontou concentrações de partículas que excederam a faixa máxima da escala em diversos pontos da cidade. No Distrito Industrial I, por exemplo, o índice chegou a 587,9 µg/m³ por volta das 5h15 da manhã, um nível extremamente prejudicial à saúde.
A Prefeitura de Manaus atribui a fumaça a queimadas em diferentes áreas da Amazônia, com destaque para municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do estado. Cidades vizinhas, como Autazes, também registraram níveis alarmantes de poluição, com concentrações de partículas atingindo 576,6 µg/m³ na manhã do mesmo dia. A rede de saúde do Amazonas já contabiliza 132 atendimentos por problemas respiratórios em quase três meses, evidenciando a crise de saúde pública decorrente da má qualidade do ar.
Entendendo os focos de calor e a série histórica
É fundamental compreender o que são os focos de calor. Eles representam pontos identificados por satélites com temperaturas mais elevadas que as áreas circundantes, indicando a possível ocorrência de queimadas. Contudo, cada foco não corresponde necessariamente a um único incêndio, pois um mesmo fogo pode gerar múltiplos registros, e outras fontes de calor também podem ser detectadas pelos equipamentos.
A análise da série histórica do Inpe para o Amazonas revela a gravidade da situação atual. Embora o ano de 2025 tenha apresentado o menor número de focos de calor entre os anos completos da série (4.545), com uma distribuição mais equilibrada ao longo dos meses, os dados de 2026 já superam esse total em menos tempo. Os anos anteriores registraram picos ainda maiores: 25.499 focos em 2024, 19.601 em 2023, 21.217 em 2022 e 14.848 em 2021. Essa comparação contextualiza o aumento de 2026, mostrando que, apesar de 2025 ter sido um ano atípico de baixa, a tendência de alta em 2026 é um retorno a um padrão preocupante.
Esforços de fiscalização e o desafio ambiental
Diante do cenário crítico, a fiscalização para o combate às queimadas tem sido intensificada em áreas remotas do Amazonas. Brigadistas e equipes de órgãos ambientais, como o Ibama, atuam na linha de frente para tentar controlar os focos de incêndio e prevenir novas ocorrências. No entanto, a vastidão da floresta amazônica e a complexidade das causas das queimadas – que incluem desmatamento ilegal, preparo de solo para agricultura e pecuária e fatores climáticos como a seca – tornam o desafio imenso.
A recorrência das queimadas no Amazonas não afeta apenas a biodiversidade e o clima global, mas também a vida e a saúde dos moradores locais e da capital. A fumaça e a poluição do ar são um lembrete constante da necessidade urgente de políticas públicas eficazes, fiscalização rigorosa e conscientização da população para a preservação da floresta e a mitigação dos impactos ambientais e sociais. Para mais informações sobre o monitoramento de queimadas, você pode consultar o portal do Inpe.
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Fonte: g1.globo.com