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Fumaça cobre Manaus pela sétima vez em duas semanas e eleva alerta de poluição na capital

Fumaça cobre Manaus pela sétima vez em duas semanas e eleva alerta de poluição na capital
Foto — Foto: Jackeline Lima/Rede Amazônica

Manaus e diversas cidades da Região Metropolitana do Amazonas (RMM) amanheceram sob uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (23), marcando o sétimo episódio de alta poluição do ar em apenas 15 dias. A situação, que se repete com frequência alarmante, levou a qualidade do ar a patamares de “muito ruim” e “péssimo” em todas as zonas da capital, ultrapassando os limites máximos da escala de monitoramento e acendendo um alerta para a saúde pública na região.

Os dados, compilados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revelam um cenário preocupante. Por volta das 6h, a concentração de partículas poluentes no ar já indicava uma grave deterioração da qualidade atmosférica, impactando diretamente a rotina e o bem-estar dos manauaras e habitantes de municípios vizinhos.

Cenário preocupante: índices de poluição disparam na capital e RMM

A recorrência da fumaça em Manaus tem sido uma constante nos últimos dias. Antes do registro desta quarta-feira (23), episódios semelhantes de alta poluição foram observados nos dias 9, 13, 17, 18, 19 e 22 de setembro, evidenciando um padrão que se intensifica com a temporada de estiagem e queimadas na Amazônia. Essa frequência impõe um desafio contínuo às autoridades e à população, que precisa se adaptar a um ambiente cada vez mais comprometido.

Na capital, a Zona Sul registrou os maiores índices de poluição, com a concentração de partículas atingindo impressionantes 382,8 µg/m³. Para contextualizar, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Índices superiores a 125 µg/m³ já são classificados como péssimos, o que demonstra a gravidade da situação em Manaus.

A Região Metropolitana também sofre intensamente. Sete dos 13 municípios apresentaram índices superiores a 125 µg/m³, caracterizando uma qualidade do ar péssima. São eles: Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba, Autazes e Itacoatiara. Em Autazes, a situação foi ainda mais crítica, com a concentração de partículas chegando a 576,6 µg/m³. Outros municípios como Borba, Silves e Careiro da Várzea registraram índices entre 77,4 e 109,8 µg/m³, classificados como muito ruins, mas ainda assim alarmantes.

Impactos na saúde e recomendações essenciais

A exposição prolongada à fumaça e à alta concentração de poluentes no ar representa um sério risco à saúde, especialmente para grupos mais vulneráveis. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) emitiu orientações cruciais na semana passada, alertando a população a evitar a exposição prolongada e a reduzir atividades físicas ao ar livre.

As recomendações são particularmente importantes para crianças, idosos, gestantes e indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes, que podem ter seus quadros agravados pela inalação de partículas. Sintomas como tosse, irritação nos olhos e garganta, dificuldade para respirar e dores de cabeça são comuns em situações de má qualidade do ar.

Para casos de sintomas leves, a população pode buscar orientação através do aplicativo Saúde AM Digital, uma ferramenta que visa facilitar o acesso a informações e direcionamento. Contudo, em situações mais graves, a busca por serviços de urgência e emergência deve ser imediata. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está disponível pelo telefone 192 para atendimento em emergências.

O desafio das queimadas e a busca por respostas

A fumaça que encobre Manaus e sua região metropolitana é, em grande parte, resultado das queimadas que se alastram pela Amazônia, intensificadas pela estação seca. Este fenômeno anual, agravado por fatores como desmatamento e mudanças climáticas, transforma a paisagem e o ar que se respira, gerando um ciclo de impactos ambientais e sociais. A falta de chuvas e as altas temperaturas criam um ambiente propício para a propagação do fogo, que muitas vezes é de origem criminosa ou acidental.

A situação levanta questionamentos sobre as ações de prevenção e combate às queimadas. O portal O Amazonas buscou contato com o Governo do Amazonas e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas para obter informações sobre as condições das queimadas e as estratégias adotadas na Região Metropolitana, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria. A ausência de posicionamento oficial reforça a urgência de um debate mais aprofundado sobre a gestão ambiental e a proteção da saúde da população amazônica. Para mais informações sobre o monitoramento de queimadas no Brasil, consulte fontes como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Acompanhe O Amazonas para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que afetam nossa região. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você compreenda os desafios e as belezas do nosso estado.

Fonte: g1.globo.com

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