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Jeany Pinheiro assume comando de Coari após afastamento do irmão, prefeito Adail Pinheiro, em operação da PF

Jeany Pinheiro assume comando de Coari após afastamento do irmão, prefeito Adail Pinheiro, em operação da PF
1 de 3 O prefeito afastado de Coari Adail Pinheiro e a presidente da Câmara, Jeany Pinheiro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A cena política de Coari, município no interior do Amazonas, passou por uma reviravolta significativa nesta quinta-feira (17) com a posse temporária de Jeany de Paula Amaral Pinheiro como prefeita. A transição ocorre em um cenário de turbulência, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o então prefeito, Manoel Adail Amaral Pinheiro, por um período de 90 dias. Jeany, que já ocupava a presidência da Câmara Municipal de Coari, é irmã do gestor afastado, adicionando uma camada de complexidade e continuidade familiar ao episódio.

O afastamento de Adail Pinheiro é resultado direto da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16). A ação investiga um esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro que teria envolvido a gestão municipal de Coari. As investigações apontam para um cenário de irregularidades que mobilizou as autoridades federais e culminou na intervenção judicial.

Transição de poder e o cenário político em Coari

A posse de Jeany Pinheiro aconteceu em uma sessão extraordinária realizada na sala de reuniões da Prefeitura de Coari, um espaço que temporariamente abriga a Câmara Municipal devido a reformas. A condução da sessão ficou a cargo do vice-presidente da Casa, Orleilson de Oliveira Lima (União Brasil), que formalizou a assunção do cargo pela nova prefeita.

A necessidade de Jeany assumir a chefia do executivo municipal se deu também pelo afastamento do vice-prefeito, Emanoel Pinheiro. Ele havia se licenciado do cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro, conforme a legislação eleitoral. O impedimento do vice-prefeito foi formalizado em ofício lido durante a sessão, estabelecendo seu afastamento até o primeiro turno das eleições, com possibilidade de retorno a partir do dia 5 de outubro.

Operação Dinastia do Lago: o cerne da investigação da PF

A Operação Dinastia do Lago, que levou ao afastamento do prefeito de Coari e de secretários municipais, cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e no próprio município de Coari. A Polícia Federal busca desarticular uma rede complexa de crimes que teria desviado verbas públicas e comprometido a integridade da administração local. Além do prefeito afastado, o deputado estadual Adail Filho (MDB), filho de Manoel Adail Pinheiro, também é um dos alvos da investigação, sendo apuradas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais realizaram apreensões significativas. Foram encontrados cerca de R$ 1 milhão em dinheiro, além de dólares, euros, joias e uma arma de fogo. A operação também resultou na apreensão de 21 veículos, sendo 11 em endereços ligados aos investigados em Manaus e 10 na cidade de Coari. Em detalhes, R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255 foram apreendidos na capital, enquanto Coari registrou a apreensão de aproximadamente R$ 637.750.

Origem e desdobramentos do inquérito no STF

A investigação que culminou na Operação Dinastia do Lago é um desdobramento de um inquérito aberto no STF, inicialmente focado em Adail Filho. O ponto de partida foi uma prisão em flagrante ocorrida em maio de 2025, no Aeroporto de Brasília, onde três empresários – Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho – foram detidos transportando cerca de R$ 1,25 milhão em espécie. Na ocasião, eles não conseguiram comprovar a origem do dinheiro, levantando as primeiras suspeitas.

A partir dessa apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos foram recolhidos e analisados com autorização judicial. O material revelou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis conexões com contratos firmados pela Prefeitura de Coari. As apurações identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para fraudar licitações. O caso também se estendeu para analisar o destino de recursos federais enviados a Coari por meio de emendas parlamentares nos anos de 2024 e 2025, buscando esclarecer se houve desvio e qual a destinação desses valores.

Um despacho do ministro Alexandre de Moraes indicou que os documentos e dispositivos apreendidos apontaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício tanto de Adail Filho quanto de seu pai, Manoel Adail Pinheiro. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, atendendo a um pedido da Polícia Federal que justificou a complexidade dos fatos, o grande número de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.

A situação em Coari reflete a importância da fiscalização e do combate à corrupção em todas as esferas do poder público. O afastamento do prefeito e a continuidade das investigações reforçam o compromisso das instituições com a transparência e a legalidade na gestão dos recursos públicos. A população de Coari e do Amazonas acompanha de perto os desdobramentos, esperando que a justiça seja feita e que a administração municipal retome sua plenitude sob os pilares da ética e da responsabilidade.

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Fonte: g1.globo.com

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