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Operação Dinastia do Lago investiga desvios e fraudes em Coari

Operação Dinastia do Lago investiga desvios e fraudes em Coari
1 de 4 Dinheiro apreendido pela PF em endereços alvos de operação no Amazonas — Foto: Reprodução/PF

A Polícia Federal deflagrou a Operação Dinastia do Lago com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações que teria como epicentro a Prefeitura de Coari, no Amazonas. A investigação coloca sob o foco das autoridades o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos) e o deputado federal Adail Filho (MDB). O caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), apura a existência de uma estrutura montada para o desvio de recursos públicos e o direcionamento de contratos municipais.

Mecanismos de fraude e movimentações financeiras

Segundo os relatórios da Polícia Federal, o esquema operava por meio de empresas que mantinham contratos ativos com o município de Coari. A suspeita é de que essas companhias funcionassem como braços de uma organização voltada para o direcionamento de concorrências públicas. O objetivo seria favorecer pessoas jurídicas vinculadas ao grupo político investigado, conferindo uma aparência de legalidade a contratações que, na realidade, serviriam para o pagamento de vantagens indevidas.

Os investigadores apontam que a movimentação financeira era estruturada para ocultar a origem e os beneficiários finais dos valores. Além dos contratos diretos com a prefeitura, a apuração se debruça sobre o uso de recursos federais, especificamente verbas enviadas ao município por meio de emendas parlamentares nos anos de 2024 e 2025. A PF busca determinar se houve desvio dessas verbas e qual foi a destinação final do montante.

O ponto de partida da investigação

O avanço das diligências foi impulsionado por um flagrante ocorrido em maio de 2025, no Aeroporto de Brasília. Na ocasião, três empresários — Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho — foram detidos transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie em um voo que partia de Manaus. A ausência de comprovação sobre a origem lícita do montante deu início a uma análise profunda de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos.

O material coletado, somado às análises financeiras, permitiu que a Polícia Federal estabelecesse conexões entre os valores apreendidos e os contratos firmados pela Prefeitura de Coari. Com base nesses elementos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a abertura de inquérito no STF, que foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes. A complexidade do caso, que envolve diversas pessoas físicas e jurídicas, levou à prorrogação das investigações em junho de 2026.

Bens apreendidos e desdobramentos judiciais

A operação resultou na apreensão de um volume expressivo de bens. Em endereços ligados aos investigados em Manaus e Coari, a Polícia Federal recolheu cerca de R$ 990 mil em moeda nacional, além de US$ 10 mil e € 1.255. A lista de bens apreendidos inclui ainda 21 veículos, sendo 11 em Manaus e 10 em Coari, além de relógios e joias de valor ainda não estimado oficialmente.

A defesa do prefeito Adail Pinheiro e do deputado Adail Filho, representada pelo advogado Fabricio de Melo Parente, manifestou surpresa com a ação policial. Em nota, os advogados classificaram o afastamento do prefeito por 90 dias como uma medida desnecessária e informaram que buscam acesso aos autos para reverter a decisão. A defesa enfatizou que a operação não implica em culpa e que os investigados permanecem à disposição para esclarecer os fatos.

O portal O Amazonas segue acompanhando o desenrolar desta investigação e os próximos passos do inquérito no STF. Para manter-se informado sobre este e outros desdobramentos políticos e judiciais que impactam o estado, continue acompanhando nossa cobertura completa e imparcial.

Fonte: g1.globo.com

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