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Ministério Público Eleitoral solicita que PF ouça David Almeida em inquérito de compra de votos em Manaus

Ministério Público Eleitoral solicita que PF ouça David Almeida em inquérito de compra de votos em Manaus
1 de 2 Ex-prefeito de Manaus, David Almeida. — Foto: Semcom

O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Amazonas defendeu, em parecer recente, que a Polícia Federal (PF) realize a oitiva do ex-prefeito de Manaus, David Almeida, no âmbito do inquérito que investiga uma suposta compra de votos. A apuração se concentra em eventos ocorridos durante a campanha de reeleição do político, programada para 2024, levantando questões sobre a integridade do processo eleitoral na capital amazonense.

A manifestação do MPE, assinada pelo promotor eleitoral Jorge Alberto Gomes Damasceno, é um passo significativo na investigação. O parecer esclarece que não há impedimentos relacionados ao foro privilegiado que impeçam David Almeida de prestar depoimento, uma vez que os fatos sob investigação estariam diretamente ligados à sua condição de candidato e não às funções inerentes ao cargo de prefeito.

Análise do MPE sobre o foro privilegiado de David Almeida

A decisão do Ministério Público Eleitoral surge após uma consulta formal do delegado da Polícia Federal, Eduardo Zózimo, à Justiça Eleitoral, buscando orientação sobre a possibilidade de ouvir o ex-prefeito. O juiz Antonio Itamar de Souza Gonzaga, responsável pelo caso, agora analisará o parecer e deverá se pronunciar nos próximos dias, definindo os próximos passos da investigação.

Segundo o promotor Damasceno, a argumentação central para afastar a questão do foro privilegiado reside no fato de que, no período em que o inquérito foi instaurado, David Almeida havia se afastado do cargo para concorrer à reeleição. Desse modo, os atos investigados, conforme o MPE, teriam sido praticados em um contexto estritamente eleitoral, sem vínculo direto com as atribuições próprias do cargo de prefeito de Manaus. Esta distinção é crucial para a continuidade da apuração.

A origem da investigação e as primeiras apreensões em Manaus

A investigação teve início de forma contundente na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024. A Polícia Federal recebeu uma denúncia detalhada, acompanhada de uma mensagem que supostamente orientava pastores de uma igreja a comparecerem a um imóvel específico no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus, em data e horário pré-determinados.

Ao verificar a denúncia, dois policiais federais se dirigiram ao endereço indicado. No local, um dos agentes relatou ter encontrado uma mochila e uma sacola contendo diversos envelopes brancos, cada um com R$ 200 em dinheiro. Outro policial colheu depoimentos de pessoas presentes, que afirmaram que os valores, totalizando R$ 38 mil, haviam sido entregues na noite anterior para serem distribuídos naquela manhã. Durante a operação, a PF apreendeu mais de R$ 21 mil em espécie e quatro aparelhos celulares, elementos que se tornaram peças-chave na investigação de compra de votos.

Os depoimentos iniciais apontaram que o dinheiro encontrado seria parte dos R$ 38 mil supostamente recebidos de indivíduos ligados à campanha do então candidato David Almeida, e que os valores teriam sido levados ao local pelo pastor Eliezer Souza. Na ocasião, dois dirigentes da igreja, Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ex-presidente e vice-presidente da instituição, foram presos em flagrante. Ambos pagaram fiança de R$ 15 mil cada e passaram a responder ao inquérito em liberdade.

Desdobramentos do inquérito e as evidências digitais

Após as apreensões iniciais, a investigação prosseguiu com a análise dos materiais coletados. Dos quatro celulares apreendidos, dois foram devolvidos aos proprietários após a perícia não identificar elementos relevantes. Os outros dois, no entanto, permaneceram sob análise da Polícia Federal, revelando informações importantes para a apuração.

O laudo pericial desses aparelhos, juntado ao processo em março deste ano após um período de espera, identificou trocas de mensagens e áudios entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima, que é casado com a afilhada de David Almeida. Além disso, o laudo descreve uma fotografia de uma “pessoa palestrando”, que uma fonte próxima à investigação identificou como César Marques, presidente do partido Agir no Amazonas. Marques também aparece em outra foto ao lado de Gabriel Alexandre da Silva Lima e dos pastores citados, com a fonte afirmando que ele participou de uma reunião para tratar de política e pedir votos. A Polícia Federal, embora ainda não tenha elementos diretos da participação pessoal de David Almeida, considera fundamental esclarecer a atuação de Gabriel na campanha e o grau de conhecimento do ex-prefeito sobre as tratativas investigadas.

Repercussão e o posicionamento dos envolvidos na apuração

Em nota oficial, David Almeida se manifestou sobre o processo, afirmando que a movimentação atual trata apenas da definição do juízo competente para conduzir o caso, e não representa uma decisão sobre o mérito da investigação. O ex-prefeito também reiterou a legalidade da eleição de 2024, buscando desvincular-se das acusações de irregularidade.

A reportagem da Rede Amazônica, que acompanhou o caso, procurou David Almeida, Gabriel Alexandre da Silva Lima, Eliezer Souza, César Marques e a direção da Igreja Pentecostal Unida do Brasil para obter seus posicionamentos, mas não obteve retorno até a publicação da matéria original. A falta de manifestação dos demais envolvidos mantém um véu de incerteza sobre as alegações, enquanto a Justiça Eleitoral se prepara para decidir sobre a oitiva do ex-prefeito, um passo que pode trazer novos contornos à complexa investigação de compra de votos em Manaus.

Este caso sublinha a constante vigilância necessária para garantir a lisura dos pleitos eleitorais e a importância da atuação de órgãos como o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal na defesa da democracia. Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes do cenário político e social do Amazonas, mantenha-se conectado ao O Amazonas, seu portal de informação confiável e aprofundada.

Fonte: g1.globo.com

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