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CVM aplica multa de R$ 201 milhões a Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário

CVM aplica multa de R$ 201 milhões a Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário
© Raphael Ribeiro/BCB

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) impôs uma punição severa ao mercado financeiro brasileiro nesta terça-feira (8). Por unanimidade, o colegiado da autarquia condenou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de uma multa de R$ 20 milhões, em um processo que investigou irregularidades graves na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty. A decisão, que também atingiu o Banco Master com uma penalidade de R$ 12,5 milhões, totaliza R$ 201 milhões em multas aplicadas a um grupo de 16 acusados, entre pessoas físicas e jurídicas.

Mecanismo de fraude e liquidez artificial

O caso, que tramita desde 2020, detalha um esquema sofisticado de manipulação de ativos. Segundo a acusação acatada pela CVM, a estrutura do fundo Brazil Realty foi comprometida pela sobreavaliação de imóveis e outros bens utilizados para integralizar cotas. A investigação apontou que laudos técnicos foram manipulados para inflar o valor real dos ativos, induzindo investidores ao erro durante a terceira emissão de cotas, iniciada em 2018, que captou R$ 139,1 milhões.

Além da supervalorização, a autarquia identificou a criação de uma liquidez artificial no mercado secundário. Empresas ligadas aos investigados, como a Entre Investimentos, teriam realizado centenas de operações de compra e venda para dar uma falsa aparência de dinamismo e valorização aos papéis. Esse movimento, segundo a CVM, resultou em um prejuízo direto de R$ 5,8 milhões para fundos que possuíam cotas do Brazil Realty, incluindo carteiras de previdência de servidores públicos.

Julgamento e desdobramentos jurídicos

A sessão de julgamento, realizada na sede da CVM no Rio de Janeiro, foi marcada pela unanimidade dos votos. O diretor João Accioly, relator do processo, sustentou que as provas documentais eram robustas o suficiente para caracterizar a fraude. Apesar das tentativas da defesa de adiar o julgamento ou firmar acordos para encerrar o caso, o colegiado manteve a rigidez, rejeitando as propostas apresentadas.

A defesa de Daniel Vorcaro contestou a decisão, argumentando que não haveria provas individualizadas que comprovassem a intenção de fraude por parte do ex-banqueiro. Os advogados sustentaram que as operações seguiram as normas vigentes do mercado. Ainda assim, a condenação impõe multas individuais que variam entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões, consolidando um dos maiores processos sancionadores recentes da autarquia.

Contexto de instabilidade no setor bancário

O Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central, foi peça central no esquema. A CVM apontou que a instituição não apenas participou da emissão das cotas, mas obteve um resultado positivo de R$ 10,8 milhões com as operações subsequentes. O cenário é agravado pelo histórico recente de Daniel Vorcaro, que já foi alvo de prisões em operações da Polícia Federal, como a Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.

Os condenados ainda possuem o direito de recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). Enquanto o processo administrativo na CVM segue para a fase de recursos, as investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal permanecem em curso, mantendo o caso no centro das atenções do mercado financeiro nacional. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas que impactam a economia e a justiça no Brasil, continue acompanhando o portal O Amazonas, seu compromisso diário com a informação apurada e de qualidade.

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