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Estreante Planalto-go choca o futebol goiano e leva o título do Feminino a3

O cenário do futebol feminino brasileiro testemunhou um feito notável com a ascensão meteórica do Planalto Esporte Clube. Fundado há menos de dois anos, em dezembro de 2024, o time de Aparecida de Goiânia, em Goiás, gravou seu nome na história ao conquistar o título da Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino. A vitória por 1 a 0 sobre o Juventude-SE, em uma emocionante final disputada no Batistão, em Aracaju, no último sábado (5), não apenas coroou uma campanha impecável, mas também colocou Goiás pela primeira vez na lista de estados com campeões nacionais entre as mulheres.

A conquista do “Corvo da Massa”, como é carinhosamente apelidado, representa mais do que um troféu; simboliza a força e o potencial de projetos que nascem com propósito e dedicação. A transmissão ao vivo pela TV Brasil amplificou o alcance dessa vitória, permitindo que milhares de torcedores e entusiastas do esporte acompanhassem o momento histórico, reforçando a visibilidade do futebol feminino no país.

Uma Trajetória Meteórica no Futebol Feminino Goiano

A história do Planalto Esporte Clube é um exemplo de sucesso em tempo recorde. Idealizado e fundado pelo presidente da Central Única das Favelas (Cufa) de Goiás, o clube iniciou suas atividades no futebol feminino em 2025, já alcançando o vice-campeonato estadual. Esse desempenho notável credenciou as “Planaltinas” a disputarem o Brasileirão A3 em 2026, e a equipe não apenas participou, mas dominou a competição em sua temporada de estreia, culminando no inédito título nacional.

Este feito é um marco para o futebol goiano, que pela primeira vez vê um de seus clubes erguer uma taça nacional na categoria feminina. A conquista ressalta a importância do investimento e do desenvolvimento de base, mostrando que com estrutura e planejamento, é possível alcançar o topo em um curto espaço de tempo. A presença de Goiás em decisões da terceira divisão nacional, inclusive com o Vila Nova em 2025, que foi vice-campeão, demonstra uma crescente força do estado na modalidade.

A Campanha de Destaque e o Golaço Decisivo

A jornada do Planalto Esporte Clube até o título foi marcada por consistência e um futebol envolvente. Em 14 jogos disputados no Brasileirão A3, o time obteve dez vitórias, três empates e apenas uma derrota, com um saldo de 28 gols marcados e 18 sofridos. A atacante Marcelly foi um dos grandes destaques individuais, balançando as redes sete vezes e se tornando a artilheira da equipe na campanha vitoriosa.

A vantagem para a partida final foi construída no jogo de ida, quando o Planalto venceu o Juventude-SE por 1 a 0, com um gol de Marcelly, no Estádio Annibal Batista de Toledo, em Aparecida de Goiânia. Com o empate a seu favor para a volta, a equipe goiana entrou em campo no sábado com a confiança elevada. O momento decisivo veio aos 44 minutos do primeiro tempo, quando a camisa 10, Brenda, cobrou uma falta de longe pela esquerda. A bola, com precisão cirúrgica, encontrou o ângulo direito da goleira Monique, que nada pôde fazer, marcando um golaço que selou a vitória.

A emoção de Brenda na comemoração era palpável e carregada de significado. A meia havia sofrido uma forte pancada na perna direita em um jogo das semifinais contra o Realidade Jovem, necessitando de atendimento de ambulância. Sua recuperação a tempo de ser decisiva na final é um testemunho de resiliência e dedicação. No segundo tempo, o Juventude-SE buscou a reação, mas a defesa do Planalto, atenta e bem postada, conseguiu neutralizar as investidas adversárias, incluindo a artilheira da A3, Laureen, que com 11 gols na competição, foi bem marcada e pouco acionada. Um gol anulado por impedimento de Idalana no final da partida não alterou o destino do título, que já estava garantido para Goiás.

Impacto Regional e o Crescimento do Futebol Feminino

A conquista do Planalto Esporte Clube não reverbera apenas em Goiás, mas em toda a região Centro-Oeste. Com este título, a região se iguala ao Sudeste, somando dois troféus no Brasileirão A3. Antes do Planalto, o mato-grossense Mixto havia sido campeão em 2023, enquanto o Sudeste viu o Taubaté vencer em 2022 e o Vasco em 2024. Esse equilíbrio regional demonstra a capilaridade e o crescimento do futebol feminino em diversas partes do Brasil.

A técnica Regiane Santos, à frente do Planalto, também celebra um feito pessoal impressionante, alcançando seu terceiro acesso nacional em um período de quatro anos. Em 2022, ela levou o Sport à Série A2 e, dois anos depois, promoveu as “Leoas rubro-negras” à elite do futebol feminino. Sua experiência e capacidade foram cruciais para o sucesso do Corvo da Massa.

Mesmo com o vice-campeonato, o Juventude-SE tem motivos para comemorar. O clube sergipano, juntamente com o campeão Planalto e os semifinalistas Portuguesa-AP e Realidade Jovem (de São José do Rio Preto, SP), garantiu vaga na Série A2 do Brasileirão de 2027. Este sistema de acesso e promoção é vital para o desenvolvimento contínuo da modalidade, incentivando clubes de diferentes regiões a investirem e aprimorarem suas estruturas, contribuindo para um cenário cada vez mais competitivo e profissional no futebol feminino brasileiro.

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