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Superlotação no Complexo Hospitalar Sul expõe drama de pacientes em Manaus

Superlotação no Complexo Hospitalar Sul expõe drama de pacientes em Manaus
Foto: Rede Amazônica

O cenário de precariedade no atendimento público de saúde em Manaus voltou a ser alvo de denúncias graves. No Complexo Hospitalar Sul, que integra o Instituto da Mulher Dona Lindu e o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, pacientes e familiares relatam uma rotina de superlotação, falta de leitos de UTI e demora excessiva em procedimentos críticos. A situação, registrada em vídeos que circulam nas redes sociais, coloca em xeque a eficiência da gestão privada que assumiu a unidade sob um contrato bilionário.

Crise de leitos e relatos de negligência médica

A realidade enfrentada por quem busca socorro no complexo é marcada pela ocupação de corredores, onde pacientes graves permanecem internados por falta de vagas em unidades de terapia intensiva. Um caso emblemático é o de um homem, internado desde o dia 10 de agosto após sofrer um infarto, que, segundo familiares, teve seu quadro agravado pela ausência de cuidados adequados. A filha do paciente, que teme represálias, afirma que o pai deveria ter sido transferido para a UTI, conforme orientação médica inicial, mas acabou mantido em uma enfermaria por 21 dias. A falta de assistência teria resultado em uma infecção no pé, evoluindo para a necessidade de amputação.

Em outro setor do complexo, no Instituto da Mulher Dona Lindu, o drama de Elaine Bentes Nogueira ilustra a espera angustiante por atendimento. Após perder um bebê de oito semanas, a paciente permaneceu dois dias aguardando a equipe médica para realizar o procedimento de retirada do feto. A mãe de Elaine relatou que, durante esse período, a justificativa dada pela equipe era a priorização de casos considerados mais graves. O atendimento só foi concretizado após a família recorrer ao Ministério Público, embora o governo estadual negue que a intervenção do órgão tenha sido o motivo da realização do procedimento.

Gestão e investimentos sob questionamento

A gestão do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto está sob responsabilidade da Organização Social Agir Saúde desde dezembro de 2024. O contrato, com vigência de cinco anos, prevê um repasse total de R$ 2 bilhões por parte do Governo do Amazonas. Para o ano de 2026, o orçamento estipulado é de aproximadamente R$ 400 milhões, dos quais R$ 260 milhões já foram executados. A promessa de ampliação de recursos e melhoria na estrutura, feita pelo Executivo estadual no momento da transição, contrasta com os relatos de quem vivencia o cotidiano da unidade, frequentemente descrita por usuários como um local de descaso.

Posicionamento oficial do governo

Em nota oficial, o Governo do Amazonas refutou as acusações de negligência, garantindo que ambos os pacientes citados receberam acompanhamento contínuo pelas equipes de saúde. Sobre as imagens que mostram pacientes em corredores, a administração do Hospital 28 de Agosto argumentou que os espaços exibidos fazem parte do fluxo operacional do pronto-socorro e não são áreas destinadas à internação de longa permanência. A gestão sustenta que os protocolos de atendimento estão sendo seguidos, apesar das queixas recorrentes da população.

O portal O Amazonas segue acompanhando os desdobramentos desta crise na saúde pública estadual. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e relevantes sobre o que acontece em nossa região. Continue acompanhando nossas atualizações diárias para se manter informado sobre os temas que impactam diretamente a vida dos amazonenses.

Fonte: g1.globo.com

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