Um registro inusitado chamou a atenção de turistas e moradores no Amazonas durante o mês de junho. Durante um passeio de barco próximo à comunidade do Tiririca, no município de Novo Airão, um bicho-preguiça foi flagrado atravessando um rio a nado, exibindo uma agilidade que desafia a fama de lentidão do animal. A cena, que viralizou nas redes sociais, foi capturada pelo gestor de turismo Sérgio Santarém enquanto ele acompanhava um casal de visitantes de São Paulo.
Surpresa em meio à navegação
O encontro aconteceu de forma inesperada. À distância, o grupo avistou um vulto na água e chegou a cogitar que se tratava de um cachorro realizando a travessia. Foi apenas com a aproximação da embarcação que a identidade do nadador foi revelada. A reação dos presentes foi de espanto, já que o comportamento não é comum no imaginário popular sobre a espécie.
“Eu, sinceramente, não sabia que as preguiças sabiam nadar. Todo mundo ficou espantado. Até o barqueiro falou que já tinha visto preguiças em árvores e na terra, mas também nunca tinha visto uma nadando”, relatou Sérgio Santarém. O momento tornou-se o ponto alto da viagem, que já incluía visitas a hotéis de selva e observação de outras espécies da fauna amazônica.
Agilidade inesperada na água
O que mais impressionou os observadores foi a desenvoltura do animal. Segundo o relato do guia, a preguiça estava a cerca de 25 metros da margem quando foi avistada e completou o percurso em menos de seis minutos. A velocidade de nado contrastou drasticamente com a movimentação lenta e metódica que o animal costuma apresentar quando está em terra firme ou entre as copas das árvores.
Especialistas em fauna silvestre costumam apontar que, embora não sejam nadadoras natas como outros animais aquáticos, as preguiças são capazes de nadar quando necessário para alcançar novas áreas de alimentação ou encontrar parceiros. O comportamento é uma estratégia de sobrevivência em ecossistemas alagados, como o arquipélago de Anavilhanas.
Respeito ao ciclo da natureza
Diante da cena, os turistas optaram por uma postura ética e consciente. Embora o casal tenha questionado se seria necessário intervir para auxiliar o animal, o guia orientou que a melhor atitude era apenas observar. Como o bicho-preguiça não apresentava sinais de ferimentos ou exaustão, qualquer tentativa de resgate poderia causar estresse desnecessário ao espécime silvestre.
O episódio reforça a importância do turismo de observação responsável, que prioriza o bem-estar dos animais em seu habitat natural. Para os visitantes, a experiência de ver um animal icônico da floresta em um momento de liberdade e autonomia foi descrita como um dos pontos mais marcantes da estadia na região. O Amazonas continua a ser um cenário de encontros surpreendentes com a biodiversidade, e o portal O Amazonas segue acompanhando os principais fatos e curiosidades que conectam o público à realidade da nossa região.
Fonte: g1.globo.com