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Trabalhador morre após queda em montagem de alegoria para o Festival de Cirandas de Manacapuru

Trabalhador morre após queda em montagem de alegoria para o Festival de Cirandas de Manacapuru
Arquivo Pessoal

O clima de celebração cultural no interior do Amazonas foi substituído pelo luto. Neste domingo (30), familiares, amigos e colegas de profissão reuniram-se na Funerária Bentes para o velório de Jone Salgado, de 45 anos. O montador alegórico faleceu na última sexta-feira (28) após sofrer uma queda de uma altura de 12 metros enquanto trabalhava na preparação das estruturas para o tradicional Festival de Cirandas de Manacapuru.

Dinâmica do acidente na Arena Parque do Ingá

O acidente ocorreu durante a fase de montagem das alegorias na Arena Parque do Ingá. Segundo relatos de outros profissionais que atuavam no local, Jone Salgado realizava a soldagem da cabeça de um boneco dentro de um módulo alegórico. A fatalidade aconteceu no momento em que o trabalhador iniciava a descida da estrutura.

De acordo com as informações apuradas, o montador precisou realizar a troca do seu equipamento de proteção individual. Foi nesse intervalo, ao retirar o cinto de segurança e antes de fixá-lo novamente, que ele pisou em uma área revestida por tecido, perdeu o equilíbrio e caiu. O profissional chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Manacapuru — Lázaro Reis, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Trajetória e impacto na cultura local

Jone Salgado era um profissional experiente e integrava uma equipe especializada, vinda de Parintins, contratada para a confecção das alegorias da Ciranda Flor Matizada. A agremiação é uma das principais atrações do festival, que iniciou justamente no dia do acidente. Em nota oficial, a diretoria da Flor Matizada lamentou profundamente a perda, destacando o legado deixado pelo artista na história da ciranda e o impacto emocional causado em toda a comunidade de torcedores.

Histórico de tragédias no festival

A morte de Jone Salgado traz à tona um trauma recente para a organização do evento e para a população de Manacapuru. O acidente ocorreu exatamente quatro anos após outra tragédia registrada no mesmo festival. Em 28 de agosto de 2022, durante a 22ª edição do evento, uma alegoria da própria Ciranda Flor Matizada desprendeu-se de um guindaste e atingiu integrantes da agremiação.

Naquele episódio, a autônoma Vivian Ramos da Silva morreu e outras 25 pessoas ficaram feridas, gerando uma grande comoção e mobilização das autoridades de saúde do estado. O caso, que foi alvo de investigação pela Polícia Civil, resultou em processos judiciais, incluindo uma decisão em 2023 que determinou o pagamento de indenização a um dos técnicos atingidos pelo equipamento. A recorrência de acidentes graves em um intervalo de quatro anos levanta debates sobre a segurança do trabalho em grandes produções culturais no Amazonas.

O portal O Amazonas segue acompanhando os desdobramentos deste caso e as investigações sobre as circunstâncias da queda. Convidamos nossos leitores a continuarem conectados ao nosso portal para atualizações sobre este e outros temas que impactam a nossa região, mantendo o compromisso com a informação precisa e de qualidade.

Fonte: g1.globo.com

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