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Onça ataca rebanho em campus do Ifam e causa morte de 11 animais no Amazonas

Onça ataca rebanho em campus do Ifam e causa morte de 11 animais no Amazonas
11 carneiros e ovelhas foram encontrados mortos neste domingo (23) no campus do Ifam em São Gabriel da Cachoeira. O caso ocorreu após o avistamento de uma onça Após o ataque, as aulas práticas e estágios do curso Técnico em Agropecuária foram suspensos na área de produção

Um ataque de onça-pintada resultou na morte de onze carneiros e ovelhas no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) em São Gabriel da Cachoeira, no interior do estado. O incidente, que ocorreu na madrugada de domingo (23), foi precedido pelo avistamento do felino por um servidor da instituição no dia anterior, intensificando as preocupações com a segurança no local e a interação entre a fauna silvestre e as atividades humanas na região amazônica.

A ocorrência levou à suspensão imediata das aulas práticas e estágios do curso Técnico em Agropecuária na área de produção, evidenciando o impacto direto no ensino e na rotina acadêmica. O Ifam adotou uma série de medidas de segurança e iniciou a notificação de órgãos ambientais competentes para buscar orientações e soluções diante da presença do predador.

Ataque de onça deixa rastro de destruição em rebanho do Ifam

O cenário de destruição foi descoberto na manhã de domingo (23), quando um servidor do Ifam, durante a rotina de alimentação, encontrou os animais mortos e feridos na área de Ovinocultura. Dos 14 ovinos que compunham o rebanho, apenas três sobreviveram ao ataque. O incidente ocorreu após um avistamento preocupante na tarde de sábado (22), por volta das 17h30, quando uma onça foi vista se alimentando de um filhote na mesma área.

Em nota oficial, o Ifam confirmou os “ataques a ovinos envolvendo a presença de uma onça nas proximidades da unidade”, ressaltando a gravidade da situação. A perda de mais de 70% do rebanho representa não apenas um prejuízo material para a instituição, mas também um alerta sobre a crescente aproximação de animais silvestres a áreas urbanas e de produção.

A gravidade dos ferimentos e as perdas para a instituição

A médica veterinária do Ifam, Jéssica Oliveira, detalhou ao g1 a extensão dos danos causados aos animais. Segundo ela, os ovinos mortos e feridos apresentavam escoriações e lesões graves no crânio e pescoço, características de ataques de grandes felinos. “Dos 14 animais, perdemos 11. Destes, encontramos algumas carcaças nas matas e outras não foram encontradas. Não conseguimos encontrar nenhum dos cordeiros. Fizemos a busca e conseguimos encontrar algumas carcaças parcialmente devoradas”, relatou Oliveira.

Dos seis animais encontrados ainda vivos, quatro agonizavam devido à gravidade dos ferimentos. Apesar do atendimento veterinário prestado, apenas uma ovelha com lesões menos severas conseguiu sobreviver. As outras três, com ferimentos graves no pescoço, esôfago e traqueia expostos, não resistiram. Como medida de segurança, os três animais sobreviventes foram transferidos para outro local, e a veterinária desaconselhou o consumo da carne dos animais afetados, reforçando a seriedade do ocorrido.

Medidas de segurança e a busca por apoio ambiental

Diante do ataque, a gestão do Ifam em São Gabriel da Cachoeira agiu rapidamente para mitigar riscos e buscar soluções. Medidas de segurança foram implementadas, incluindo o reforço da proteção dos animais remanescentes e a orientação aos servidores que atuam nas áreas de campo. A instituição também informou que está estudando providências adicionais para reduzir a probabilidade de novas ocorrências e garantir a segurança de todos.

O Ifam comunicou o incidente à Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que elaborou um relatório sobre o caso e orientou o enterro dos animais mortos. Além disso, a instituição entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e notificará o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), buscando protocolos e orientações técnicas para lidar com a presença de animais silvestres, sempre em conformidade com a legislação ambiental vigente.

Crescimento de avistamentos de onças e o alerta na região

O ataque no Ifam não é um caso isolado. O secretário de Meio Ambiente de São Gabriel da Cachoeira, Manuel Alves, revelou ao g1 que houve múltiplos avistamentos de onças na região, inclusive em áreas de cultivo e plantações, o que não era comum anteriormente. “Temos relatos de avistamento em locais diferentes e talvez com animais diferentes. Aqui não existia essa questão de avistamentos. Estamos administrando com muita precaução, orientando a população, porque alguns desses avistamentos ocorreram em área de roçado”, afirmou o secretário.

Esse aumento de avistamentos gera um alerta para a população local e para as autoridades ambientais sobre a necessidade de estratégias de convivência e prevenção. A expansão das áreas urbanas e agrícolas, aliada à degradação de habitats naturais, pode levar a um maior contato entre humanos e animais silvestres, intensificando conflitos e exigindo uma gestão cuidadosa para a proteção de ambos.

A complexa convivência entre humanos e a fauna amazônica

A presença de onças em áreas próximas a assentamentos humanos e instituições de ensino como o Ifam destaca a complexidade da convivência com a rica fauna amazônica. Joel Araújo, superintendente do Ibama no Amazonas, embora não tivesse conhecimento do caso específico até a tarde de domingo, explicou que o órgão não atua no resgate de animais nesses cenários. Ele enfatizou a importância de que proprietários e instituições promovam alterações no ambiente para dificultar o acesso dos animais, como forma de prevenção.

A situação em São Gabriel da Cachoeira reflete um desafio maior enfrentado em diversas regiões do Brasil, onde a expansão humana e a conservação da vida selvagem se encontram em um delicado equilíbrio. A busca por soluções que garantam a segurança da comunidade e a proteção dos animais silvestres é fundamental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

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Fonte: g1.globo.com

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