O Ministério da Fazenda está avaliando mudanças no Programa Move Brasil, uma iniciativa de crédito destinada a motoristas de aplicativo e taxistas, com o objetivo de impulsionar a adesão, especialmente por parte dos bancos privados. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (19) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que destacou a necessidade de ajustes para que o programa alcance seu potencial máximo e beneficie um maior número de trabalhadores da categoria.
Lançado em 27 de julho, o Move Brasil foi concebido para oferecer linhas de crédito com juros reduzidos, facilitando a aquisição de veículos para uso profissional. No entanto, a participação aquém do esperado por parte das instituições financeiras privadas tem levado a equipe econômica a buscar soluções que tornem o programa mais atrativo e eficaz.
O Programa Move Brasil e seus desafios atuais
O Programa Move Brasil representa um esforço do governo para apoiar uma categoria profissional em constante crescimento e com grande impacto na economia. Ele oferece condições especiais para o financiamento de carros novos, com valor de até R$ 150 mil, além de seminovos, motocicletas e bicicletas, todos destinados ao trabalho de motoristas de aplicativo e taxistas. A ideia central é modernizar a frota e proporcionar melhores condições de trabalho para esses profissionais.
Contudo, a análise do desempenho inicial do programa revelou uma disparidade na participação. Enquanto bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, têm demonstrado maior engajamento, as instituições financeiras privadas mostram um menor interesse em aderir às linhas de crédito oferecidas. Essa baixa adesão, mesmo com as garantias governamentais, é o principal ponto de preocupação do Ministério da Fazenda, que busca entender os motivos e implementar as correções necessárias.
Propostas de ajuste e o papel dos bancos privados
Em busca de soluções, o ministro Dario Durigan indicou que a equipe econômica está estudando diversas alterações. Essas modificações podem envolver aspectos legais do próprio programa, mas também focam na integração com as plataformas digitais utilizadas pelos motoristas. O objetivo é aprimorar a troca de informações sobre a renda dos trabalhadores, um fator crucial para que os bancos privados se sintam mais seguros ao conceder o crédito.
Durigan enfatizou que a intenção é testar esses possíveis ajustes em conjunto com os bancos privados, avaliando se as mudanças propostas podem, de fato, ampliar o volume de financiamentos. A expectativa é que, ao facilitar o acesso a dados de renda e otimizar os processos, o programa se torne mais atraente para as instituições financeiras, resultando em um maior número de motoristas e taxistas beneficiados.
Balanço governamental e outras pautas econômicas
As discussões sobre o Programa Move Brasil ocorreram durante uma reunião mais ampla no Palácio da Alvorada, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros. O encontro serviu para que o governo fizesse um balanço geral de diversos programas de crédito lançados recentemente e discutisse outras medidas econômicas estratégicas.
Entre os temas abordados, destacam-se as linhas de crédito para caminhões e ônibus, o financiamento de motocicletas, o Programa Desenrola, voltado para a renegociação de dívidas, e outras ações de apoio a trabalhadores e empresas. Esse panorama demonstra a preocupação do governo em movimentar a economia e oferecer suporte a diferentes setores produtivos e categorias profissionais.
Lei de Reciprocidade Econômica e relações com os EUA
Paralelamente às discussões sobre crédito, a reunião também abordou a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica e suas implicações nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. O ministro Durigan assegurou que a aplicação da lei não deve prejudicar o diálogo diplomático com Washington, mesmo diante da tarifa de 37,5% imposta pelos norte-americanos a produtos brasileiros.
Na semana anterior, o governo brasileiro havia iniciado o processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade, conforme previsto pela Lei 15.122/2025. Esse mecanismo permite que o Brasil responda a ações unilaterais de outros países que prejudiquem suas exportações. Durigan ressaltou a disposição do Brasil para a negociação, afirmando que o processo de reciprocidade será conduzido com cautela e ouvindo os setores afetados, podendo até mesmo fortalecer a posição brasileira nas tratativas.
O governo também estuda outras formas de apoio aos setores impactados pelas tarifas, como a possível extensão do regime de drawback, que reduz ou suspende tributos sobre insumos destinados à exportação. Essas medidas integram o programa Brasil Soberano, reforçando a estratégia nacional de proteção e estímulo ao comércio exterior.
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