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Tifanny Abreu critica veto a atletas trans no vôlei brasileiro e promete lutar

Tifanny Abreu critica veto a atletas trans no vôlei brasileiro e promete lutar
© Divulgação/Osasco - @carol__fotografia

A oposta Tifanny Abreu, atleta do Osasco São Cristóvão Saúde e figura pioneira no vôlei brasileiro, manifestou-se publicamente pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar uma nova política de elegibilidade. A regra, que restringe a participação em competições femininas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer, foi classificada por Tifanny como um “enorme retrocesso” para o esporte e a inclusão social.

Aos 41 anos, Tifanny, que se tornou a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga, reiterou sua determinação em não desistir de sua carreira. Sua declaração ressalta não apenas o impacto pessoal da medida, mas também suas amplas implicações para a comunidade trans, clubes, torcedores e patrocinadores, levantando um debate crucial sobre direitos e visibilidade no cenário esportivo nacional.

A Nova Política da CBV e a Elegibilidade de Atletas

A nova diretriz da CBV foi divulgada em 14 de agosto de 2026, com o objetivo declarado de alinhar-se às regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Anteriormente, mulheres trans podiam competir desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite específico. Com a mudança, a elegibilidade agora exige a apresentação de um resultado negativo para o gene SRY, um marcador genético associado ao desenvolvimento do sexo masculino.

Esta alteração tem um alcance significativo, sendo válida já para as edições de 2026 da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027. A medida representa uma guinada na abordagem da confederação, que antes adotava critérios hormonais, e agora se volta para uma definição biológica mais restritiva, gerando incertezas e apreensão entre atletas e equipes.

A Reação de Tifanny: Um ‘Enorme Retrocesso’ para a Inclusão

Em um pronunciamento compartilhado pela assessoria de imprensa do Osasco, Tifanny expressou sua profunda insatisfação com a nova regra. “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”, afirmou a atleta. Ela enfatizou que o impacto da decisão transcende sua individualidade, afetando diretamente seu clube, a torcida, patrocinadores e, crucialmente, “as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans”.

A oposta classificou a medida como um “enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão”, traçando um paralelo com “a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”. Sua fala ressoa como um grito de alerta para a comunidade esportiva e para a sociedade em geral, sobre os perigos de políticas que podem marginalizar e excluir grupos minoritários, em vez de promover um ambiente de igualdade e respeito.

A Trajetória de Tifanny e a Luta por Direitos no Esporte

A história de Tifanny no vôlei feminino é marcada por pioneirismo e superação. Desde 2017, ela tem sido uma voz ativa e um exemplo de resiliência, culminando na conquista da Superliga em 2025, tornando-se a primeira atleta trans a levantar o troféu do principal torneio do país. Sua presença nas quadras abriu caminhos e inspirou muitos, mostrando que o esporte pode ser um espaço de acolhimento e realização para todos.

Diante do novo cenário, Tifanny deixou claro que não se calará. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, declarou. Esta postura reforça seu compromisso não apenas com sua própria carreira, mas com a causa mais ampla da inclusão de atletas transgênero, prometendo uma batalha legal e social para reverter o que considera uma injustiça.

O Jogo em Osasco e o Cenário do Vôlei Paulista

Apesar do anúncio da nova política da CBV, Tifanny esteve em quadra no último sábado, dia 15 de agosto de 2026, pela estreia do Osasco no Campeonato Paulista de vôlei. A partida, disputada em casa, no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros, terminou com vitória das visitantes por 3 sets a 2, apesar dos 19 pontos marcados por Tifanny, que foi muito ovacionada pela torcida osasquense.

Sua participação no jogo foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Estadual seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. A entidade declarou que “eventuais medidas” para as próximas competições seriam tomadas “após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde”. Essa decisão da FPV destaca a complexidade e a falta de uniformidade nas regulamentações esportivas, criando um ambiente de incerteza para atletas e confederações regionais.

Para acompanhar de perto os desdobramentos deste e de outros temas relevantes no cenário esportivo e social, continue conectado com O Amazonas, seu portal de informação que se compromete com a apuração aprofundada e a contextualização dos fatos.

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