Manaus tem enfrentado um período de condições climáticas extremas, com temperaturas recordes, prolongada estiagem e o aumento preocupante de focos de queimadas. Diante desse cenário que impacta diretamente a saúde pública, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), intensificou as orientações para a proteção de crianças, um grupo particularmente vulnerável aos efeitos adversos do calor intenso e da má qualidade do ar.
A capital amazonense registrou recentemente o dia mais quente do ano, atingindo 36,1°C, um marco que acende o alerta para os riscos de desidratação, insolação e exaustão pelo calor. Além disso, a escassez de chuvas agrava a situação, com apenas cerca de 3,5 milímetros de precipitação nos primeiros dez dias de agosto, representando aproximadamente 1% da média esperada para o mês, conforme dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
Cenário crítico na capital amazonense: recordes de calor e seca
O “verão amazônico” de 2023 tem se mostrado atípico e desafiador. A combinação de altas temperaturas e a ausência de chuvas cria um ambiente propício para a proliferação de queimadas, cujas fumaças se espalham pela cidade, deteriorando a qualidade do ar. Essa realidade não apenas afeta o conforto térmico da população, mas também impõe sérios riscos à saúde, especialmente para os mais jovens. A rotina dos manauaras é alterada, com o calor se fazendo sentir até mesmo dentro do transporte público, como nos ônibus, onde as altas temperaturas se tornam ainda mais perceptíveis.
A chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, Janaína de Sá Terra, sublinha a importância de reforçar as medidas preventivas nas unidades de saúde. Segundo ela, a vulnerabilidade das crianças é acentuada, tornando-as mais suscetíveis a problemas de saúde como desidratação, insolação e o agravamento de doenças respiratórias preexistentes.
Vulnerabilidade infantil: os riscos do calor e da fumaça
O organismo infantil possui características que o tornam menos eficiente na regulação da temperatura corporal em comparação com o adulto. A pediatra Lucíola Peixoto explica que crianças perdem água mais facilmente, o que dificulta a manutenção da temperatura interna de forma eficaz. Essa particularidade as coloca em um patamar de maior risco para complicações relacionadas ao calor extremo.
Grupos específicos de crianças merecem atenção redobrada neste período. Bebês, crianças menores de cinco anos, prematuros, crianças com deficiência e aquelas que já convivem com doenças crônicas, como a asma, são os mais afetados. Para esses grupos, os riscos de desenvolver condições graves como exaustão pelo calor, insolação e crises respiratórias são significativamente maiores, exigindo vigilância constante por parte dos pais e responsáveis.
Recomendações cruciais para a saúde dos pequenos
Diante do quadro atual, especialistas da saúde pública e pediatras oferecem um conjunto de recomendações práticas para proteger as crianças. A hidratação é a primeira linha de defesa: é fundamental oferecer água com frequência para crianças maiores de seis meses, mesmo que não demonstrem sede. Para bebês menores de seis meses, a amamentação em livre demanda deve ser mantida e incentivada, pois o leite materno supre todas as necessidades hídricas e nutricionais.
A alimentação também desempenha um papel vital. Priorizar frutas, verduras e legumes ricos em água ajuda a manter o corpo hidratado. Por outro lado, é crucial evitar refrigerantes, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para a desidratação. Outras medidas importantes incluem:
- Nunca deixar crianças sozinhas dentro de veículos, nem por poucos minutos, devido ao rápido aumento da temperatura interna.
- Evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico, entre 9h e 16h.
- Dar preferência a roupas leves, claras e confortáveis, que permitam a transpiração e ajudem a dissipar o calor.
- Manter os ambientes internos bem ventilados e garantir que os equipamentos de climatização, como ares-condicionados, estejam limpos e com a manutenção em dia.
- Reduzir atividades ao ar livre em dias com alta concentração de fumaça de queimadas ou quando a qualidade do ar estiver comprometida.
Sinais de alerta: quando buscar ajuda médica
É vital que pais e responsáveis estejam atentos aos sinais que podem indicar desidratação ou outras complicações relacionadas ao calor. A identificação precoce desses sintomas e a busca por atendimento médico imediato podem fazer a diferença na recuperação da criança. Os principais sinais de alerta incluem:
Boca seca, diminuição da frequência urinária, ausência de lágrimas ao chorar, olhos fundos, sonolência excessiva, irritabilidade incomum, fraqueza ou prostração, respiração acelerada e pulso fraco. Ao observar qualquer um desses sintomas, é imprescindível procurar uma unidade de saúde sem demora.
Fumaça das queimadas: um perigo extra para as vias respiratórias
Além do calor, a fumaça proveniente das queimadas representa uma ameaça significativa à saúde respiratória das crianças. As partículas inaladas podem provocar irritação das vias aéreas, desencadear crises em crianças com asma e agravar outras condições respiratórias. A recomendação da Semsa, reforçada por Janaína de Sá Terra, é clara: “Nos dias em que houver intensa fumaça proveniente de queimadas ou piora da qualidade do ar, a recomendação é que sejam evitadas atividades físicas e a permanência prolongada ao ar livre.”
A proteção das crianças neste período exige uma abordagem multifacetada, combinando hidratação, alimentação adequada, vestuário apropriado e a vigilância constante dos responsáveis. A atenção aos sinais de alerta e a busca por orientação médica são passos fundamentais para garantir o bem-estar dos pequenos diante dos desafios impostos pelo clima em Manaus. Para mais informações sobre saúde infantil e prevenção de doenças, consulte fontes confiáveis como o Ministério da Saúde.
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Fonte: g1.globo.com