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Crise no campo: colheita de soja em Roraima enfrenta risco de perda de metade da produção

Crise no campo: colheita de soja em Roraima enfrenta risco de perda de metade da produção
Roraima Raquel Maia

A safra de soja em Roraima, um dos pilares do agronegócio local, teve seu início de colheita marcado por uma preocupação crescente: a severa estiagem que assolou o estado. A falta de chuvas durante o período crucial de desenvolvimento das lavouras ameaça reduzir a produtividade pela metade, transformando a expectativa de uma colheita recorde em um cenário de perdas significativas para os produtores e para a economia regional.

Inicialmente, a projeção para a safra de soja era ambiciosa, visando superar a marca de 500 mil toneladas do grão. Contudo, as condições climáticas adversas forçaram uma revisão drástica. A Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) estima que Roraima pode deixar de colher aproximadamente 260 mil toneladas, um golpe duro para um setor em expansão.

Impacto econômico da estiagem na produção de soja

As consequências da seca vão muito além da redução da quantidade de grãos. O impacto financeiro é alarmante. A Aprosoja calcula que as perdas diretas no campo podem atingir R$ 500 milhões, um montante que deixará de circular entre os agricultores. Ao considerar os efeitos em toda a cadeia produtiva, que engloba desde fornecedores de insumos até o transporte e comercialização, o prejuízo para a economia de Roraima pode ultrapassar a marca de R$ 2 bilhões.

Este cenário contrasta fortemente com o ano anterior, quando o estado colheu mais de 430 mil toneladas de soja, demonstrando o potencial produtivo da região. A atual estiagem, associada à influência do fenômeno climático El Niño, já havia sido alertada por órgãos de monitoramento. A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) havia emitido avisos sobre os possíveis efeitos do El Niño, que altera o regime de chuvas em diversas partes do país, impactando diretamente a agricultura.

A realidade do produtor rural diante da seca

Na Fazenda Flórida do Norte, localizada na zona rural de Boa Vista, a colheita de soja já está em andamento. O produtor rural Lucas Cavalca explica que as máquinas começaram a operar nos talhões há poucos dias, seguindo um cronograma escalonado, onde cada área é colhida no ponto ideal de maturação. O ciclo da soja cultivada na propriedade é de cerca de 90 dias, mas a falta de chuva impôs desafios adicionais ao manejo de algumas áreas.

Apesar de um resultado satisfatório nas primeiras áreas colhidas, Lucas Cavalca expressa preocupação com o restante da safra. “A gente está tendo uma boa produtividade, poderia ser melhor, mas o estado sofreu muito com a seca este ano. Então as primeiras sojas a gente está tendo um bom resultado, mas a tendência daqui para frente é que infelizmente não seja um ano muito bom”, lamentou o produtor.

A ciência por trás da perda de produtividade

A água é um elemento vital para o desenvolvimento da soja, especialmente durante as fases de floração e enchimento dos grãos. Quando a planta é submetida a um período prolongado de estiagem, sua capacidade de absorção e transporte de água e nutrientes é drasticamente reduzida. Isso se traduz em menos grãos formados e um menor enchimento daqueles que conseguem se desenvolver, resultando em uma diminuição do peso e, consequentemente, da produtividade final da lavoura.

Na Fazenda Flórida do Norte, a colheita ainda não foi concluída, o que impede uma mensuração precisa das perdas. No entanto, a estimativa inicial de Lucas Cavalca aponta para uma redução de aproximadamente 30% na produtividade, com a possibilidade de que esse percentual seja ainda maior nas áreas mais castigadas pela escassez hídrica. “A gente sabia da possibilidade do El Niño, mas acho que ninguém previu que ia cortar tão cedo a chuva. Então assim é um ano bem difícil para o estado”, pontuou.

Resiliência e perspectivas futuras para a soja em Roraima

Mesmo diante de um cenário climático desfavorável, a colheita prossegue. A atividade rural, como destaca o produtor Lucas Cavalca, exige uma capacidade de adaptação constante e uma disposição inabalável para continuar produzindo, mesmo quando as condições não são as ideais. “É mais um desafio que a gente vai ter que enfrentar. O agricultor é resiliente, não desiste fácil. Então, os problemas que tiverem, a gente vai resolver e vai continuar trabalhando”, afirmou.

Apesar das dificuldades atuais, o governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), mantém uma perspectiva de crescimento para a área plantada de soja. Em 2025, o estado registrou 132.421 hectares cultivados, e a estimativa para 2026 é de um aumento para 144.893 hectares. Essa projeção reforça a importância estratégica da cultura para a economia local e a crença na capacidade de superação dos desafios climáticos.

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Fonte: Aprosoja Brasil

Fonte: g1.globo.com

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