A participação feminina no mercado de trabalho brasileiro tem sido um tema central em diversas discussões sobre equidade e desenvolvimento. No setor de seguros e previdência privada aberta, um novo levantamento da Superintendência de Seguros Privados (Susep) revela um cenário paradoxal: as mulheres constituem a maior parte da força de trabalho, mas sua presença nos cargos de liderança e como consumidoras de produtos do setor ainda é significativamente menor. A primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela autarquia, lança luz sobre essa disparidade, apontando caminhos para a construção de um mercado mais inclusivo.
O estudo, que reúne dados de 142 empresas supervisionadas pela Susep, tem como objetivo principal mapear a atuação feminina tanto no ambiente corporativo quanto no consumo de seguros e planos de previdência privada. A iniciativa é estratégica, pois deve servir como um alicerce fundamental para a formulação de políticas públicas eficazes, visando promover uma maior inclusão e representatividade das mulheres no mercado securitário brasileiro.
FeMa Meter: o panorama da participação feminina
A pesquisa FeMa Meter, um instrumento inovador desenvolvido pela Access to Insurance Initiative, organização internacional dedicada à inclusão em seguros, especialmente em mercados emergentes, trouxe à tona números que reforçam a necessidade de atenção à equidade de gênero. Os dados, coletados até 31 de dezembro de 2024, de 129 seguradoras e 13 entidades abertas de previdência complementar, revelam uma base de trabalho predominantemente feminina.
As mulheres representam 54,4% da força de trabalho total das empresas participantes. Contudo, essa maioria numérica não se traduz em igualdade de oportunidades nos níveis mais altos da hierarquia corporativa. O levantamento detalha essa lacuna, que se aprofunda à medida que se avança na estrutura de poder das organizações.
A escalada hierárquica e o desafio da liderança
Apesar de sua expressiva presença na base, o estudo da Susep evidencia que as mulheres enfrentam um