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Feira em Manacapuru destaca artesanato como motor de renda e histórias de superação feminina

Feira em Manacapuru destaca artesanato como motor de renda e histórias de superação feminina
Jadson Lima/g1

Em Manacapuru, município do interior do Amazonas, o artesanato tem se consolidado como uma poderosa ferramenta de transformação social e econômica para mulheres. Longe de ser apenas um passatempo, a atividade manual se tornou uma fonte vital de renda e um caminho para a superação pessoal, reunindo histórias de resiliência e empoderamento feminino.

Recentemente, uma feira realizada na cidade evidenciou essa realidade, congregando artesãs com os mais diversos percursos de vida: desde pacientes em tratamento contra o câncer e mães solo, até mulheres indígenas e vítimas de violência doméstica. O evento não só proporcionou um espaço para a comercialização de produtos únicos, mas também celebrou a capacidade dessas mulheres de reinventar suas trajetórias, transformando talento e necessidade em oportunidades concretas.

O artesanato como terapia e recomeço

A história de Aurinete Alves de Oliveira, artesã e orientadora social, ilustra a força terapêutica do artesanato. Há 16 anos, durante o tratamento contra um câncer de mama, Aurinete encontrou no fuxico – técnica de costura com retalhos de tecido – uma forma de desviar o foco da doença. Em encontros na Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon), a decisão de “não falar mais de câncer” a levou a aprender e praticar o artesanato.

O que começou como uma ocupação para o tempo livre durante a recuperação, rapidamente se tornou uma nova vocação. Hoje, Aurinete não apenas produz suas próprias peças, mas também ministra oficinas de artesanato para mulheres que enfrentam ansiedade, depressão e outras pacientes oncológicas. Para ela, o trabalho manual é um catalisador de mudanças, abrindo portas para que muitas participantes encontrem na atividade uma nova fonte de renda e um propósito renovado. “Se o Senhor me der uma segunda chance de vida, eu vou viver para fazer algo diferente. 16 anos depois, estou aqui ajudando outras mulheres”, relata.

Preservação cultural e empoderamento indígena

A feira também foi palco para a riqueza cultural do povo Apurinã, representada pela indígena Ivanete Laborda, de 33 anos. Moradora da zona rural de Manacapuru, Ivanete percorreu um longo caminho de motocicleta para levar seus grafismos tradicionais, produzidos com sumo de jenipapo, ao público. Essas técnicas ancestrais, aplicadas em bolsas, camisetas e outras peças, são mais do que artefatos; são expressões da identidade e da cosmologia de seu povo.

“O grafismo é uma cosmologia nossa. A gente mostra o que ele significa e o que representa na nossa luta do dia a dia”, explica Ivanete. Há dois anos, ela participa da Feira das Mulheres Empreendedoras, utilizando o espaço para comercializar seus produtos e, crucialmente, para divulgar e manter viva a cultura Apurinã, reforçando a importância da valorização e do reconhecimento dos saberes tradicionais.

De hobby a negócio: a jornada empreendedora

O projeto que impulsiona a Feira das Mulheres Empreendedoras é coordenado por Rosângela Picanço, cuja própria história reflete a capacidade de superação. Mãe solo, Rosângela iniciou a produção de cosméticos artesanais após o divórcio. Mesmo após ser diagnosticada com câncer no ano passado, ela manteve-se ativa, trabalhando e contribuindo para a organização da feira, demonstrando a força e a determinação que caracterizam as participantes.

A iniciativa, que reúne cerca de 80 artesãs – incluindo mães solo, pacientes oncológicas, mulheres indígenas e vítimas de violência doméstica – oferece cursos de qualificação que transformam talentos latentes em habilidades profissionais. “Algumas delas não sabiam fazer nada. Hoje aprenderam uma profissão e estão vendendo aqui”, afirma Rosângela, destacando o impacto direto na geração de renda e na autonomia dessas mulheres. A professora aposentada Vera Lúcia da Silva, de 64 anos, é um exemplo dessa jornada, tendo se interessado pelo artesanato enquanto ministrava aulas de Artes em Caapiranga e aprimorado suas técnicas em um curso no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ao chegar em Manacapuru.

O impacto da feira e o futuro do projeto

A feira, que na última semana integrou a programação de aniversário de Manacapuru, não se limita à comercialização de produtos como crochê, costura criativa, biojoias e cosméticos artesanais. Ela funciona como uma vitrine essencial para o trabalho das artesãs, promovendo a visibilidade e a conexão com novos clientes e parceiros. O sucesso do evento é tangível: foram arrecadados R$ 46 mil, um valor que reflete o potencial econômico do artesanato local.

Segundo Ariane Campello, secretária municipal de Políticas para as Mulheres, o objetivo é contínuo: ampliar as oportunidades para que essas artesãs fortaleçam seus próprios negócios. “A feira é uma vitrine de vendas e de contatos. A gente busca criar oportunidades para que essas mulheres possam apresentar o trabalho delas e ampliar a geração de renda”, reforça a secretária, sublinhando o compromisso da gestão municipal com o empreendedorismo feminino e o desenvolvimento local. Para mais informações sobre iniciativas de apoio ao empreendedorismo no Brasil, você pode consultar o site do Sebrae.

As histórias de Manacapuru são um lembrete poderoso de como a arte e o apoio comunitário podem tecer um futuro mais digno e próspero. Continue acompanhando O Amazonas para se manter informado sobre as iniciativas que transformam vidas em nossa região e em todo o país, com reportagens aprofundadas e conteúdo relevante que valoriza a informação de qualidade.

Fonte: g1.globo.com

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