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Greve de ônibus em Manaus entra no terceiro dia com frota reduzida e impasse financeiro

Greve de ônibus em Manaus entra no terceiro dia com frota reduzida e impasse financeiro
Jacqueline Nascimento/g1

A capital amazonense enfrenta, nesta quarta-feira (22), o terceiro dia consecutivo de paralisação dos rodoviários, um cenário que tem impactado significativamente a rotina de milhares de manauaras. Os ônibus do transporte coletivo seguem operando com uma frota reduzida, conforme determinação da Justiça do Trabalho, gerando transtornos e incerteza para os passageiros que dependem do serviço diariamente.

A medida judicial estabelece que 80% da frota deve circular nos horários de pico – entre 6h e 9h, e das 17h às 20h. Nos demais períodos, o percentual mínimo de veículos em operação é de 50%. A situação reflete um complexo emaranhado de dívidas, divergências de valores e promessas de pagamento que se arrastam há meses, colocando em xeque a estabilidade do sistema de transporte público da cidade.

Paralisação dos rodoviários em Manaus atinge terceiro dia

A greve, que teve início na segunda-feira (20), foi deflagrada após as empresas de transporte coletivo não efetuarem o pagamento da primeira parcela dos salários da categoria dentro do prazo estipulado pela Justiça. Segundo Givancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários, a decisão de paralisar as atividades foi uma resposta direta ao descumprimento reiterado dos prazos de pagamento por parte das empresas.

No início de julho de 2025, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) concedeu uma liminar que estabelecia um cronograma de pagamento salarial: 40% dos vencimentos até o dia 20 de cada mês (ou dia útil anterior) e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês subsequente. O não cumprimento dessa determinação judicial foi o estopim para a mobilização dos trabalhadores, que buscam garantir seus direitos e a regularidade de seus rendimentos.

A complexa teia da dívida do passe livre estudantil

Um dos principais argumentos apresentados pelas empresas para justificar os atrasos nos repasses salariais é a existência de uma dívida substancial relacionada ao passe livre estudantil. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) alega que o benefício pode ser afetado por um débito que totaliza R$ 90,1 milhões. Deste montante, mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas, enquanto o restante caberia à Prefeitura de Manaus.

Essa dívida, segundo o Sinetram, impacta diretamente a capacidade financeira das operadoras de honrar seus compromissos, incluindo o pagamento em dia dos salários dos rodoviários. A questão do passe livre estudantil, portanto, não é apenas um benefício para os alunos, mas um ponto central na disputa financeira que afeta a operação de todo o sistema de transporte.

Poder público e empresas divergem sobre valores e responsabilidades

As acusações do Sinetram foram prontamente rebatidas pelas autoridades. Na terça-feira (21), o prefeito de Manaus, Renato Júnior, afirmou categoricamente que a prefeitura não possui pendências com o transporte coletivo referentes a 2026, informando que o município já repassou cerca de R$ 284 milhões ao Sinetram neste ano. Horas depois, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) corroborou a inexistência de débitos para 2026, mas esclareceu que existe um passivo de R$ 150,4 milhões referente a anos anteriores, com R$ 91 milhões atribuídos ao Governo do Amazonas e R$ 59 milhões à responsabilidade municipal.

Por sua vez, o vice-governador Serafim Corrêa contestou o valor da dívida apontado pelo Sinetram, reconhecendo apenas um débito de R$ 18 milhões referente aos meses de fevereiro a julho de 2026. Ele prometeu o pagamento em até 24 horas, e posteriormente publicou nas redes sociais o comprovante da transferência para a conta do Sinetram, declarando o assunto como “encerrado” do ponto de vista do governo. Essa disparidade nos valores reconhecidos e cobrados evidencia a complexidade e a falta de consenso na gestão financeira do transporte público.

O impasse sobre o custo real da tarifa estudantil

A raiz da divergência entre o governo estadual e as empresas reside no valor considerado para o pagamento do benefício do passe estudantil. Enquanto o Estado defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem, valor correspondente à meia-passagem estudantil, o Sinetram argumenta que o pagamento deveria ser baseado na tarifa técnica, que representa o custo real de operação do sistema e atualmente é superior a R$ 8.

Este impasse teve início em 2025, após o término do convênio entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus que custeava o Passe Livre Estudantil. Desde então, o Estado passou a defender o pagamento direto ao Sinetram pelo valor da meia-passagem e recorreu à Justiça para assegurar a continuidade do benefício para os alunos da rede estadual. Em junho de 2025, uma decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Manaus autorizou o Governo do Amazonas a adquirir as meias-passagens por R$ 2,50 e determinou que o IMMU e o Sinetram não impedissem o acesso dos estudantes da rede estadual ao transporte gratuito.

Impacto na mobilidade urbana e a busca por soluções

Enquanto as discussões sobre valores e responsabilidades se arrastam, a população de Manaus é a mais afetada pela paralisação. A redução da frota de ônibus significa mais tempo de espera nos pontos, veículos superlotados e dificuldades para chegar ao trabalho, à escola ou a compromissos essenciais. A mobilidade urbana, já desafiadora em uma metrópole como Manaus, torna-se ainda mais crítica em dias de greve.

A resolução deste conflito exige não apenas o cumprimento das decisões judiciais, mas também um diálogo construtivo entre todas as partes envolvidas – sindicato dos rodoviários, empresas de transporte, prefeitura e governo do estado. A busca por uma solução duradoura que garanta a estabilidade financeira do sistema e, consequentemente, a qualidade do serviço prestado à população, é fundamental para o desenvolvimento da cidade.

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Fonte: g1.globo.com

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