A capital amazonense enfrenta dias de transtorno com a paralisação do transporte coletivo, que teve início na última segunda-feira, 20 de maio, e segue sem previsão de término. A greve dos rodoviários, motivada pelo atraso no pagamento de salários da categoria, resultou na circulação reduzida da frota de ônibus, impactando diretamente a rotina de milhares de manauaras e o dinamismo econômico da cidade, especialmente na região central.
Nesta terça-feira, 21 de maio, o cenário de incerteza e a dificuldade de deslocamento se refletiram em uma notável diminuição do movimento no comércio do Centro de Manaus. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) alertou para a redução de consumidores, muitos dos quais optaram por não se arriscar a sair de casa, temendo não conseguir retornar devido à instabilidade do serviço de transporte.
Impacto no comércio e na mobilidade urbana
O presidente da ACA, Bruno Pinheiro, destacou a preocupação dos consumidores. “Hoje também o movimento no Centro de Manaus foi um movimento bem menor que o natural, principalmente pela instabilidade. O cliente vinha ao centro, efetuava a compra e talvez tenha dificuldade de retornar para casa”, afirmou. Essa percepção de risco afetou diretamente as vendas e a vitalidade econômica da área, que já opera em um ritmo desafiador.
Além do impacto sobre os consumidores, a paralisação gerou grandes dificuldades para os próprios comerciantes e seus funcionários. Inúmeros relatos indicam que, por volta das 21h de terça-feira, muitos trabalhadores ainda estavam nos terminais de ônibus, enfrentando longas esperas e a incerteza de conseguir um transporte para suas residências. As paradas de ônibus ficaram lotadas, evidenciando a desproporção entre a demanda e a oferta de veículos.
O impasse financeiro por trás da paralisação
A raiz da paralisação reside na falta de pagamento dos salários dos rodoviários, uma questão recorrente em diversos centros urbanos brasileiros que expõe a fragilidade do sistema de transporte público. Em meio às negociações e à pressão da categoria, o vice-governador Serafim Corrêa anunciou, no início da noite de terça-feira, o pagamento de R$ 18 milhões referentes a seis meses de valores pendentes do Passe Livre Estudantil. Este montante, embora significativo, é apenas uma parte do complexo cenário financeiro que envolve o setor.
Por outro lado, a Prefeitura de Manaus, por meio de sua assessoria, afirmou não possuir débitos pendentes com as empresas de transporte, o que adiciona uma camada de complexidade ao impasse. O Sindicato das Empresas de Transporte, por sua vez, já havia alertado que o Passe Livre Estudantil em Manaus poderia ser afetado por uma dívida de R$ 90 milhões, um valor substancial que aponta para um desequilíbrio financeiro crônico no sistema. A falta de clareza sobre a origem e a responsabilidade por essa dívida agrava a situação, dificultando uma solução definitiva para a crise. Para mais informações sobre desafios no transporte público, consulte portais especializados.
Decisão judicial e a rotina de escolas e universidades
Para mitigar os efeitos da paralisação, a Justiça do Trabalho emitiu uma decisão judicial na segunda-feira, determinando que uma frota mínima de ônibus deveria permanecer em circulação. De acordo com a determinação, 80% dos rodoviários e veículos devem operar nos horários de pico, entre 6h e 9h e das 17h às 20h. Nos demais horários, o percentual mínimo estabelecido é de 50%. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) está sujeito a uma multa de R$ 120 mil por hora caso a determinação seja descumprida, uma medida que busca equilibrar o direito à greve com a necessidade de manutenção de um serviço essencial.
Apesar dos transtornos, o funcionamento das escolas municipais de Manaus não foi afetado nesta terça-feira. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que as 520 unidades da rede operaram normalmente, com as atividades pedagógicas mantidas. A Semed justificou que a maioria dos estudantes está matriculada em escolas próximas às suas residências, o que minimiza o impacto da ausência de ônibus no deslocamento. Em contraste, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) optaram por adotar atividades remotas para servidores e estudantes de suas unidades na capital. A UEA está em recesso acadêmico, mas a medida valeu para os servidores administrativos, enquanto a Ufam autorizou o formato remoto para as atividades acadêmicas devido às dificuldades de deslocamento.
A paralisação dos rodoviários em Manaus é um reflexo de desafios complexos que envolvem financiamento, gestão e a valorização dos trabalhadores do transporte público. O desdobramento dessa situação crucial para a vida da cidade e de seus habitantes será acompanhado de perto. Para se manter atualizado sobre este e outros temas relevantes que impactam a região, continue acompanhando O Amazonas, seu portal de notícias comprometido com informação de qualidade e contextualizada.
Fonte: g1.globo.com