PUBLICIDADE

Ônibus de Manaus operam com frota reduzida após paralisação e decisão judicial

Ônibus de Manaus operam com frota reduzida após paralisação e decisão judicial
Natália Póvoas/Rede Amazônica

A rotina dos manauaras foi novamente impactada por instabilidades no sistema de transporte coletivo. Nesta terça-feira (21), a frota de ônibus em Manaus passou a operar com uma redução de 50% fora dos horários de pico, uma medida que segue a determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11). A informação, divulgada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), surge após uma paralisação que interrompeu o serviço na segunda-feira (20), gerando transtornos significativos para milhares de cidadãos.

A decisão judicial, que visou restabelecer a normalidade mínima do serviço, estabeleceu que 80% dos ônibus deveriam circular nos horários de maior demanda, especificamente das 6h às 9h e das 17h às 20h. Nos demais períodos, a operação foi limitada à metade da frota total. Os veículos começaram a retornar às ruas na madrugada de terça-feira, com a frota de pico em funcionamento, após a greve ser considerada abusiva pelo TRT-11.

A rotina dos passageiros em meio à crise no transporte

A paralisação e a subsequente redução da frota de ônibus em Manaus trouxeram à tona as dificuldades enfrentadas diariamente pela população que depende do transporte público. Nos terminais 4 e 5, pontos cruciais para a mobilidade da capital, passageiros relataram à Rede Amazônica os reflexos diretos da interrupção do serviço. Muitos se viram obrigados a buscar alternativas mais caras, como carros por aplicativo, para chegar em casa ou ao trabalho, evidenciando a vulnerabilidade de quem não possui outras opções de deslocamento.

O estudante Renan, por exemplo, não conseguiu encontrar um ônibus após sair da escola na segunda-feira e precisou arcar com os custos de uma corrida de aplicativo. Ele destacou o impacto financeiro dessas situações. “Quando tem essas greves aumenta os preços, né. Aí fica complicada a situação”, lamentou. Apesar de ter encontrado a circulação aparentemente normal na terça-feira, a apreensão com a possibilidade de novas paralisações era palpável.

Situação semelhante viveu Elias, trabalhador da construção civil, que teve um prejuízo considerável ao desembolsar R$ 65 para retornar da Ponta Negra, na Zona Oeste, até a Zona Leste de Manaus. O valor, segundo ele, comprometeu praticamente toda a renda de um dia de trabalho. “Foi um prejuízo, porque o dia de ontem praticamente foi só para pagar o Uber e voltar para casa”, afirmou Elias, que expressou a esperança de que não haja novas interrupções no serviço, evitando mais “prejuízo pro bolso”.

O que motivou a paralisação e a intervenção judicial

A paralisação dos rodoviários foi desencadeada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria, conforme informou o Sindicato dos Rodoviários. O presidente da entidade, Givancir Oliveira, apontou que as empresas de ônibus não cumpriram os prazos de pagamento estabelecidos pela Justiça. No início do mês, o TRT-11 havia concedido uma liminar determinando que 40% dos salários fossem pagos até o dia 20 de cada mês (ou dia útil anterior) e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. A alegação do sindicato é que o prazo do dia 20 não foi respeitado.

A decisão do TRT-11 de considerar a greve abusiva e ordenar o retorno imediato dos veículos reflete a preocupação com a essencialidade do serviço de transporte coletivo Manaus. A interrupção total ou parcial do serviço afeta diretamente a economia local, a educação e o acesso a serviços básicos, tornando a intervenção judicial uma medida para mitigar os impactos sociais e econômicos de uma paralisação prolongada.

A ameaça ao passe livre estudantil e a dívida milionária

Além da questão salarial que motivou a paralisação, o Sinetram trouxe à tona outro grave problema que pode comprometer a sustentabilidade do sistema de transporte: uma dívida de R$ 90,1 milhões referente aos repasses do passe livre estudantil. Segundo o sindicato, esses valores em aberto envolvem tanto o Governo do Amazonas quanto a Prefeitura de Manaus, colocando em risco um benefício essencial para milhares de estudantes da capital.

O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, alertou para a gravidade da situação, afirmando que as dez empresas que operam o transporte coletivo na cidade enfrentam sérias dificuldades financeiras. A falta desses repasses, segundo ele, interfere diretamente na manutenção e na qualidade do serviço. “O sistema pode colapsar caso essa dívida, que hoje é de R$ 90 milhões, não seja paga”, declarou Teixeira, sublinhando a urgência de uma solução para evitar um colapso ainda maior.

A gratuidade do passe estudantil é um direito fundamental para muitos jovens, garantindo o acesso à educação e reduzindo a evasão escolar. A ameaça à sua continuidade adiciona uma camada de complexidade à crise do transporte, exigindo uma articulação entre as esferas governamentais e as empresas para garantir a estabilidade do serviço e a manutenção dos benefícios sociais. O portal O Amazonas buscou contato com a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para obter esclarecimentos sobre as pendências financeiras, e aguarda posicionamento oficial.

Desafios e o futuro da mobilidade em Manaus

A recente paralisação e a subsequente redução da frota de ônibus em Manaus são sintomas de desafios estruturais mais profundos que afetam a mobilidade urbana na capital amazonense. A dependência quase total da população do transporte coletivo, aliada a questões financeiras crônicas das empresas e às demandas legítimas dos trabalhadores, cria um cenário de constante tensão. A busca por um equilíbrio que garanta a qualidade do serviço, a remuneração justa dos rodoviários e a sustentabilidade financeira das operadoras é um imperativo para a cidade.

A solução para esses impasses passa por um diálogo contínuo e transparente entre todos os atores envolvidos: sindicatos de trabalhadores, empresas de transporte e os poderes públicos municipal e estadual. É fundamental que se busquem mecanismos de financiamento estáveis, que não apenas cubram os custos operacionais, mas também permitam investimentos em melhorias da frota e da infraestrutura, visando um sistema de transporte público eficiente e confiável para todos os manauaras. Acompanhe as atualizações sobre este tema e outros que impactam a vida no Amazonas.

Para se manter sempre bem informado sobre os acontecimentos que moldam a realidade do nosso estado, desde a política e economia até a cultura e o cotidiano, continue acompanhando O Amazonas. Nosso compromisso é trazer a você uma cobertura jornalística aprofundada, contextualizada e relevante, para que você compreenda não apenas os fatos, mas também suas causas e desdobramentos.

Fonte: g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE