A mobilização estudantil tomou novos rumos em Manaus nesta quarta-feira (4), quando manifestantes ocuparam a sede da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O ato foi organizado em protesto direto contra a suspensão das recargas do Passe Livre Estudantil destinada aos alunos da rede estadual de ensino, conforme informações divulgadas pela União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE).
A paralisação do benefício ocorreu na sequência de um comunicado emitido pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). A entidade patronal apontou um impasse financeiro envolvendo repasses devidos pelo Governo do Amazonas, com débitos que remontam a 2025. Enquanto isso, a gestão estadual sustenta que as obrigações do ano corrente estão quitadas e que os valores cobrados pelo sindicato são objeto de contestação na Justiça.
Repercussão digital e impacto na rotina escolar
Nas redes sociais, a mobilização ganhou força após centenas de jovens relatarem surpresa ao tentarem utilizar o benefício. O corte das recargas foi comunicado aos usuários por meio do aplicativo de mobilidade urbana utilizado na capital, gerando indignação imediata entre os grêmios e entidades representativas.
Desde que o bloqueio das recargas foi efetivado, estudantes de diversas zonas da cidade têm enfrentado sérios obstáculos para frequentar as salas de aula. Sem a gratuidade garantida, parte dos alunos recorreu a caronas solidárias, ao uso de recursos próprios ou ao absenteísmo escolar, evidenciando a dependência do programa para a permanência na educação básica e superior.
O conflito de contas entre o Estado e o Sinetram
O pano de fundo da ocupação é uma disputa financeira complexa que se arrasta entre o poder público e as empresas de ônibus. O Sinetram argumenta que a operação do sistema de transporte não comporta o ônus de custear o passe estudantil sem a compensação financeira integral por parte do governo estadual.
Por sua vez, a administração estadual contesta os montantes exigidos pelas empresas operadoras. Segundo dados oficiais divulgados pelo Executivo, os aportes financeiros referentes a 2026 somam mais de R$ 27 milhões repassados às concessionárias, incluindo um repasse de R$ 3 milhões realizado no dia 23 de outubro.
Disputa judicial bilionária e os desdobramentos de 2025
O principal nó górdio da negociação reside nos valores cobrados referentes ao exercício anterior. Em audiência realizada no dia 26 de outubro, o impasse ganhou contornos jurídicos mais rígidos com a atuação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O governo estadual aponta divergências em uma cobrança estimada em cerca de R$ 250 milhões referente aos serviços prestados no primeiro semestre de 2025. A gestão argumenta que os custos apresentados pelo Sinetram e pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) carecem da comprovação técnica adequada para a liberação dos pagamentos exigidos.
Garantia de saldo remanescente e o futuro do benefício
Apesar da interrupção nos novos créditos, o Sinetram esclareceu que os estudantes que ainda possuem saldo acumulado nos cartões de transporte podem continuar utilizando as viagens disponíveis até o esgotamento dos créditos atuais. No entanto, a incerteza sobre a normalização definitiva do programa mantém a comunidade acadêmica em estado de vigília.
Acompanhe novas atualizações sobre este e outros temas fundamentais para o estado no portal O Amazonas, seu canal diário de jornalismo comprometido com a apuração rigorosa e a relevância regional.
Fonte: g1.globo.com