A fumaça densa proveniente de queimadas encobriu o horizonte de vários municípios do interior do Amazonas, deixando a qualidade do ar em patamares considerados muito ruins ou péssimos em nove cidades. Os registros mais críticos foram concentrados na região Leste do estado, em áreas próximas à divisa com o Pará, alterando a rotina da população justamente durante o feriado.
De acordo com dados consolidados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, administrado pela Universidade do Estado do Amazonas, a situação atingiu níveis alarmantes na medição matutina, impondo riscos evidentes à saúde pública local e exigindo atenção redobrada dos moradores dessas localidades afetadas pela poluição atmosférica.
Monitoramento aponta situação crítica na região leste
O município de Parintins registrou a pior qualidade do ar em todo o território amazonense. Na localidade de Vila Amazônia, zona rural do município, a concentração de partículas poluentes atingiu índices expressivos, enquanto na área central a marca também permaneceu na faixa de classificação máxima de gravidade pelo sistema de monitoramento ambiental.
Outros municípios vizinhos acompanharam o cenário de degradação atmosférica severa. Barreirinha, Silves e Itapiranga apresentaram concentrações elevadíssimas de material particulado fino, posicionando a qualidade do ar dessas três cidades na categoria considerada péssima para a respiração humana.
A situação também exigiu cautela em Itacoatiara, Maués, Boa Vista do Ramos, Urucurituba e São Sebastião do Uatumã, onde o ar foi classificado como muito ruim. Na contramão do restante da região leste, apenas Urucará registrou índices dentro da normalidade, mantendo a atmosfera limpa para os moradores locais durante o mesmo período.
Reflexos da poluição atmosférica na capital e no interior
Enquanto o interior enfrentava índices severos de poluição, a cidade de Manaus registrou condições moderadas na maior parte de suas zonas urbanas. Apenas um ponto específico de monitoramento, localizado no bairro Distrito Industrial I, na Zona Leste da capital, apresentou índice considerado ruim na medição oficial.
Nas demais áreas da capital amazonense, as concentrações de poluentes mantiveram-se oscilando dentro de parâmetros aceitáveis, embora a visibilidade e a presença de névoa seca tenham chamado a atenção de quem transitava pelas ruas durante o feriado. A dispersão da fumaça na região metropolitana continua dependendo diretamente das condições de vento e umidade.
Cenário de emergência ambiental e estiagem no estado
O panorama crítico da fumaça ocorre em meio a um cenário mais amplo de vulnerabilidade climática no Amazonas. Dezenas de municípios permanecem oficialmente em situação de emergência e alerta devido aos impactos severos da estiagem prolongada, que tem afetado dezenas de milhares de famílias em todo o estado.
Para conter o avanço dos focos de calor e minimizar os danos socioambientais, forças estaduais e federais mantêm operações integradas. O contingente conta com milhares de profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas florestais, além de dezenas de aeronaves especializadas no combate a incêndios de grande proporção em áreas de difícil acesso.
Como medida de contenção, o governo estadual manteve a proibição temporária do uso do fogo em todo o território amazonense, além de decretos de emergência voltados a intensificar a fiscalização ambiental, o monitoramento por satélite e a distribuição de apoio logístico e estrutural aos municípios mais vulneráveis.
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Fonte: g1.globo.com