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Indústria de Manaus enfrenta avanço de pneus importados para motos

Indústria de Manaus enfrenta avanço de pneus importados para motos
Foto: Divulgação/Abraciclo

Para quem precisa trocar o pneu da motocicleta, o preço pesa na decisão. Especialmente quando o veículo é instrumento de trabalho, qualquer despesa de manutenção disputa espaço com combustível, alimentação e outras contas. É compreensível que uma oferta mais barata encontre compradores no mercado brasileiro. No entanto, para a indústria instalada no país, o avanço dos pneus importados coloca uma questão central: como competir sem comprometer a capacidade de produzir e investir localmente?

Os dados do setor mostram uma mudança expressiva no cenário econômico recente. De acordo com informações da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), as importações de pneus de passeio, comerciais leves e carga registraram alta expressiva de janeiro a agosto de 2026, enquanto as vendas dos fabricantes nacionais voltados à reposição recuaram em comparação com o mesmo período do ano anterior. A China destacou-se como a principal origem das importações no segmento de passeio.

impacto no mercado de duas rodas e o papel de Manaus

No segmento de motocicletas, essa dinâmica também exige atenção regulatória e mercadológica. As importações de pneus para duas rodas apresentaram crescimento, enquanto as vendas internas de produtos nacionais para reposição encolheram, elevando a participação estrangeira nesse mercado. Como a capital amazonense abriga o polo de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM), o assunto ganha relevância estratégica para a economia local e regional.

A região abriga tanto a operação tradicional da Michelin quanto a implantação da nova estrutura industrial da Etor Pneus, marca vinculada ao Grupo Cairu. Em julho de 2026, a empresa deu início à fabricação do composto de borracha na Zona Franca de Manaus, marcando um avanço importante que ilustra a expansão da cadeia de suprimentos voltada para componentes essenciais da mobilidade urbana.

desafios logísticos e pressões sobre a competitividade

A concorrência acirrada pressiona preços, margens e escalas de produção. Quando uma fábrica opera com volumes menores de vendas, enfrenta maiores dificuldades para absorver seus custos fixos operacionais. Além disso, as indústrias instaladas na Amazônia enfrentam barreiras estruturais severas, como as flutuações severas dos rios em períodos de forte vazante, o que encarece o transporte e complica o planejamento logístico em comparação com concorrentes estrangeiros.

Essa conjuntura afeta diretamente o mercado de trabalho formal no estado do Amazonas. O PIM atua como o principal gerador de empregos da região, e a perda de espaço da cadeia de componentes para produtos estrangeiros gera debates sobre a sustentabilidade de vagas técnicas e operacionais. Garantir condições equânimes de concorrência é visto pelo setor produtivo como uma forma de blindar a indústria local.

consequências industriais e o futuro da produção nacional

O histórico recente do setor aponta para reestruturações profundas. No fim de 2025, a Michelin encerrou as atividades de sua unidade fabril em Guarulhos, apontando a forte concorrência dos produtos asiáticos e a inviabilidade econômica como fatores determinantes, embora sua operação principal em Manaus tenha sido mantida ativa. Disputas comerciais e revisões de medidas antidumping também movimentam o cenário regulatório nacional.

Para o futuro, especialistas apontam que o debate não deve se limitar a barreiras alfandegárias. A eficiência produtiva, a qualificação profissional, a infraestrutura de escoamento e a transparência nas informações são pilares fundamentais para que a indústria de Manaus continue relevante, garantindo ao consumidor produtos seguros, duráveis e competitivos.

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Fonte: g1.globo.com

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