O lançamento da série documental Amazônia reuniu convidados no Teatro Amazonas, localizado no Centro de Manaus, em um evento que destacou a relação entre a preservação ambiental e as atividades econômicas da região. Composta por três episódios, a produção retrata a rotina de comunidades que conciliam a conservação da floresta com o sustento diário, além de debater os impactos diretos das mudanças climáticas sobre o ecossistema local.
Apresentada pelo fotógrafo documental Luciano Candisani, a obra percorre diferentes territórios e acompanha iniciativas ligadas ao cultivo de cacau nativo, ao extrativismo da castanha-do-brasil e ao manejo sustentável do pirarucu. O projeto foi estruturado inicialmente para evidenciar a relevância do bioma durante a COP30, realizada em 2025, conectando a proteção ambiental às matrizes produtivas do país.
Economia tradicional e os desafios climáticos
Os episódios detalham como o conhecimento tradicional se une à pesquisa científica para garantir a manutenção da floresta em pé. No capítulo dedicado ao cacau nativo, a câmera acompanha etapas como o manejo, a seleção, a fermentação e a comercialização do fruto, demonstrando que é possível agregar valor econômico sem descaracterizar o solo amazônico.
Em contrapartida, a produção expõe a vulnerabilidade de outras cadeias produtivas frente ao avanço do aquecimento global. O episódio sobre a castanha-do-brasil revela como as secas severas comprometem a safra, reduzindo drasticamente a renda das famílias extrativistas e o funcionamento das estruturas locais de beneficiamento.
Manejo do pirarucu e a ciência na conservação
Outro destaque da série é o acompanhamento do manejo sustentável do pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. A prática utiliza a contagem visual dos peixes por pescadores locais, em parceria com pesquisadores, para estabelecer cotas seguras de captura.
Essa estratégia garante a recuperação da espécie e assegura uma fonte estável de renda para os moradores da reserva. A narrativa da série também conta com reflexões de figuras como a coordenadora residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Silvia Rucks, e o cientista Carlos Nobre, que alertam para os riscos do ponto de não retorno da floresta.
Parceria entre indústria e saberes tradicionais
Com patrocínio da Yamaha, viabilizado por meio de incentivos da Lei do Audiovisual e aprovação da Ancine, a obra busca demonstrar que o desenvolvimento industrial e a bioeconomia podem caminhar juntos. O gerente de relações institucionais do grupo, Rafael Lourenço, pontuou que a preservação da floresta está intrinsecamente ligada ao bem-estar de quem habita o território, defendendo ainda o papel da Zona Franca de Manaus como polo integrador.
A visão foi reforçada pelo presidente executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Lúcio Flávio Morais de Oliveira, que apontou a importância de divulgar o modelo econômico do estado para o restante do país. Para os realizadores, a distribuição gratuita do conteúdo para escolas e emissoras de TV busca democratizar o acesso à informação científica.
Continue acompanhando O Amazonas para saber mais sobre os principais acontecimentos culturais, econômicos e ambientais da nossa região com profundidade e credibilidade.
Fonte: g1.globo.com